Duas detentas são recapturadas
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segunda-feira, 05 de junho de 2000
Érika Pelegrino de Londrina 
Duas das oito presas do 2º Distrito Policial de Londrina, que fugiram na madrugada de domingo, foram recapturadas ontem de manhã. Sandra Regina de Macedo, detida por furto, foi encontrada no Jardim Nossa Senhora da Paz (região oeste). Simone Benedita Paulino, acusada de roubo, apresentou-se à polícia.
Na tarde de domingo, outras duas fugitivas também já tinham sido recapturadas. Ambas estavam na cidade de Cornélio Procópio, onde pegariam um ônibus para São Paulo. Esta foi a primeira fuga de detentas do 2º DP, localizado na área central de Londrina. Desde fevereiro, segundo a delegada do distrito, Waldete Testone, já ocorreram três fugas duas de homens.
As detentas fugiram arrebentado a grade de proteção que fica no corredor da ala feminina. Há algum tempo, elas conseguiram uma autorização judicial para permanecerem no corredor da unidade devido à superlotação. Técnicos do Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom) estiveram ontem no local para ver os estragos nas duas alas e iniciar as obras de reparo.
Com capacidade para 28 detentas, o 2º DP já esteve com 72 presas e no domingo estava com 38. Apenas um policial estava de plantão durante a fuga. Waldete Testone afirma que seriam necessários pelo menos três. Hoje, o distrito conta com quatro plantonistas, que se revezam em turnos de 24 horas, e dois policiais que trabalham no horário de expediente das 8h30 às 12 horas e das 14 às 18 horas.
A delegada não atribui a fuga à superlotação mas a uma situação limite vivida diariamente tanto pelos homens quanto pelas mulheres detentas. As presas reclamam desde da lentidão dos processos, falta de atendimento médico e até por transferências para a penitenciária feminina em Curitiba. Na opinião da delegada, o motivo mais forte que leva à fuga é a crise de abstinência. A maioria é viciada em drogas e não consegue ficar sem, afirma.
Segundo Waldete Testone, hoje, pelo menos 19 detentas poderiam não estar mais no 2º DP. Das 38 presas, 11 já estão condenadas e receberam autorização dos juízes que emitem as sentenças para serem removidas para Curitiba, mas por falta de vaga continuam no 2º DP. Outras oito foram condenadas e estão aguardando a autorização para remoção. Destas, de acordo com a delegada, muitas recorreram da sentença. Por isso não receberam autorização para remoção. Outras já tiveram os recursos julgados mas o resultado ainda não foi comunicado.
Quanto ao atendimento médico, a delegada diz que não há pessoal suficiente para atender as detentas sempre. Só encaminhamos para o médico casos graves, afirma. Waldete Testone acredita que a interdição da Prisão Provisória, em novembro do ano passado, é um dos fatores causadores das fugas. Com a Prisão Provisória os presos que não se comportavam bem eram transferidos para lá. Como sabiam disto eles ficavam mais calmos, comenta.


