Duas décadas da UBS do União da Vitória
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sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - Prestes a completar 20 anos, a Unidade Básica de Saúde (UBS) Orlando Cestari, do Jardim União da Vitória (zona sul de Londrina), que foi reinaugurada ontem, representou um marco na saúde pública dos moradores quando foi instalada. Na época, muitos deles precisavam se deslocar para outros bairros ou recorriam a uma unidade móvel de saúde (Unimos), presente apenas uma vez por semana.
Uma das pessoas que eram atendidas no ônibus é a diarista Cristina Pereira, de 50 anos. "O atendimento era por fila e não era por senha. Esse ônibus vinha sempre ao meio-dia e estacionava debaixo da árvore que fica em frente à atual UBS", lembrou Cristina, ressaltando que os pacientes ficavam sob o sol quente. "Tínhamos que ficar de pé, mas na época era rapidinho. Demorava no máximo 3 minutos e atendiam a gente", destacou Cristina, que sofre de diabetes. "Mas depois que implantaram a UBS ficou muito bom", ressaltou.
Na época em que a UBS foi inaugurada o União da Vitória era ainda um assentamento, sem infraestrutura, como escola, asfalto, luz e água. No início ainda não havia o atendimento por serviços como o Siate ou Samu e os casos de violência urbana eram encaminhados à UBS. A clínica geral Roseli da Costa Donato, de 51, se lembra de um episódio em 1995, no ano da inauguração, e que envolveu uma criança. "Em um assalto uma criança de 4 anos foi atingida na cabeça por uma bala perdida durante o meu plantão, num sábado. Ela foi encaminhada para o Hospital Universitário (HU), mas depois de uma semana veio a óbito. Naquela época tínhamos esfaqueados e baleados", contou Roseli.
PERFIL
A ex-coordenadora da UBS, Izabel Cristina da Silva, de 46 anos, trabalha na unidade desde antes de sua inauguração. Ela foi ao local para montar a unidade. "No início a gente tinha que fazer a territorialização, para ver as necessidades do bairro e o que podia trabalhar para melhorar a saúde da população", relembrou. Ela revelou que na época o índice de mortalidade infantil era alto e entre as principais patologias estavam parasitoses, diarreias, doenças infecciosas e desnutrição. "O bairro estava sem asfalto, sem saneamento básico, o acesso não era tão fácil e não tinha coleta de lixo esquematizada", enumerou.
Izabel destacou que ao longo dos anos houve uma mudança do perfil epidemiológico. "O pessoal aprendeu a se cuidar mais, o lixo diminuiu, foi implantado o saneamento básico e o asfalto no bairro", explicou. Ela ressaltou também a implantação do Programa Saúde da Família, que começou em 2001, que pôde dar assistência mais direta às famílias.
A UBS, responsável pelo atendimento de cerca de 20 mil pessoas na região, ficou fechada para reforma cerca de seis meses.


