O corpo do bancário José Carlos Cândido Romero, 47 anos, morto eletrocutado por um raio anteontem, foi sepultado na tarde de ontem no Cemitério Municipal Padre Anchieta, na zona leste de Londrina. A única testemunha do acidente foi o vendedor autônomo Wilson Duarte, 45 anos, que era concunhado e amigo da vítima.
O raio atingiu os dois por volta das 18h45, quando eles praticavam cooper numa rua da margem direita do Lago Igapó 2, na zona sul da cidade. ‘‘Não ouvi e nem vi nada. Quando acordei do rápido desmaio, parecia que tinha caído um tambor com 200 quilos de concreto sobre a minha cabeça. Olhei para o lado e vi o José Carlos caído no asfalto. Pensei que ele estivesse brincando comigo. Quando cheguei perto, notei que ele não estava bem, apesar da aparência normal’’, conta Duarte, que sofreu ferimentos leves no supercílio direito e cotovelos causados pela queda; além de uma forte dor de cabeça por algumas horas.
‘‘Quando fui fazer massagem no tórax do José Carlos, para tentar reanimá-lo, notei que o raio tinha derretido a correntinha de ouro e queimado o pescoço dele como se fosse um maçarico. Logo chegou um médico. Também outras pessoas vieram para tentar ajudá-lo, mas isto não foi possível porque infelizmente ele já estava morto’’, ressalta Wilson Duarte, que foi medicado e liberado pelos médicos do Hospital Evangélico por volta das 22 horas de anteontem.
José Carlos Romero era funcionário do Banco do Brasil há cerca de 17 anos. Ele deixou a esposa Telma Vieira Romero e três filhos.
Wilson Duarte, casado e com dois filhos menores, comenta que a morte do amigo foi uma fatalidade. ‘‘Quando cheguei à casa do José Carlos para deixar minha filha, por volta das 18 horas, ele estava vestido e com a bolsa pronta para ir jogar tênis na AABB. Mas por causa da ameaça da chuva, o colega que jogaria com ele desistiu de ir à associação. Então, ele resolveu ir caminhar comigo, o que acontecia raramente’’, explica Duarte, que é maratonista amador e caminha ou corre todos os dias.
O acidente aconteceu quando os dois estavam andando a pouco mais de dez minutos. ‘‘Começou a chover e o José Carlos propôs que passássemos para o outro lado da rua. Ele comentou que os eucaliptos da margem do Igapó poderiam atrair algum raio. O raio caiu alguns minutos depois de estarmos andando onde ele sugeriu. Não acredito que a corrente de ouro dele tenha atraído o raio, porque eu estava com uma igual e nada de mais grave aconteceu comigo’’, comenta Duarte.
Segundo ele, os dois estavam andando lado-a-lado, a cerca de 50 centímetros de distância um do outro. ‘‘É como muita gente diz: acho que o José Carlos morreu porque chegou a hora dele. Afinal, estávamos muito perto um do outro e vestidos de forma exatamente igual, com tênis, shorts, camiseta e correntinha de ouro no pescoço.’’
Segundo o médico-chefe do Instituto Médico Legal (IML), a descarga elétrica de alta voltagem do raio provocou em José Carlos Romero distúrbio cardíaco e hemorragia cerebral - as principais causas da morte -, além de pequenas queimaduras externas. A energia do raio entrou no corpo da vítima na altura do pescoço e saiu pelos pés.
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