DRT investiga cárcere privado no ferro-velho
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quinta-feira, 16 de setembro de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
A Subdelegacia Regional do Trabalho de Londrina deve começar a apurar hoje quais condições eram oferecidas para quatro funcionários do ferro-velho Cobrão, encontrados anteontem pela Polícia Civil em regime de cárcere privado dentro do estabelecimento. No ferro-velho, localizado na rua Tefé, na Vila Nova (Área Central), também foram encontradas quase quatro toneladas de fios de telefonia e eletricidade, além de placas de identificação de lápides, vasos de cobre e hidrômetros. A polícia suspeita que o material seja produto de furtos.
O subdelegado de trabalho de Londrina, Aurélio Yoshiaki Sugayama, afirmou à reportagem da Folha que o delegado-operacional da 10 Subdivisão Policial (SDP), Manoel Pelisson, seria procurado ainda na tarde de ontem. ''Precisamos saber com o delegado quais as condições em que os funcionários trabalhavam'', explicou. Na ocasião da apreensão do material, quatro funcionários foram encontrados em condições insalubres de trabalho, além de estarem trancados no depósito, sem telefone ou outro meio de contato exterior. Ainda segundo Sugayama, as informações obtidas junto à polícia determinarão a necessidade de uma fiscalização no ferro-velho.
De acordo com Pelisson, o total de material apreendido no ferro velho totaliza 3.610 kg. ''São 2.510 quilos de fios de telefonia, 1.100 quilos de cabos elétricos, vasos de cobre de túmulos, 96 placas de lápides e 28 hidrômetros'', descreveu, contando ainda que a origem de todo o material não foi identificada. Para isso, um pedido de realização de perícias seria realizado na tarde de ontem. ''O advogado do dono do ferro velho apresentou notas fiscais de compra dos fios datadas de 2001. Vamos conferir esta data com o número de lote dos fabricantes'', explicou o delegado.
Até o final da tarde de ontem, foi comprovado somente o furto das placas de identificação de túmulos. ''Uma delas foi devolvida a uma pessoa que havia registrado a ocorrência de furto no cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte) há um ano'', disse o delegado.
O proprietário do negócio, segundo Pelisson, pode ser indiciado por receptação qualificada. Para o delegado, as suspeitas recaem sobre um empresário do ramo, que já respondeu a inquéritos por crimes semelhantes. Pelisson disse também que as ivestigações serão repassadas ao delegado responsável pelo 1º Distrito Policial, Jorge Barbosa.
Ele adiantou ainda que, com a ajuda da Sercomtel, não será difícil identificar a procedência dos fios de cobre. (Colaborou Francismar Lemes)


