A quantidade de acidentes nas cooperativas demonstra displicência de algumas com segurança do trabalho. A avaliação é do chefe do setor de comunicação social da Delegacia Regional do Ministério do Trabalho do Paraná (DRT/PR), Luiz Alberto Paixão.
No ano passado, 3.094 trabalhadores de cooperativas morreram em serviço e 15 mil ficaram inválidos. Todos os anos mais de 60 mil dedos são decepados, de acordo com dados do anuário estatístico do INSS. Nas 60 cooperativas agropecuárias do Paraná, trabalham 35 mil pessoas - conforme registra a Organização das Cooperativas Estaduais do Paraná (Ocepar).
As mortes registradas há um mês na unidade de Cambé da Cooperativa Agropecuária Rolândia (Corol) desencadearam uma ação preventiva do DRT/PR. Desde agosto fiscais estão vistoriando cooperativas: sete já foram notificadas por irregularidas e receberam prazo médio de 10 dias para adequar o sistema de segurança.
As falhas mais encontradas foram falta de cabo de aço e cinto de segurança com trava-quedas nas moegas e poços de elevadores. Os responsáveis pelas cooperativas não admitem desinteresse em investir em segurança. Eles alegam que o sistema de segurança existe e que o Ministério do Trabalho está fazendo novas exigências, as quais garantem que irão cumprir. O diretor-presidente da Valcoop, Wilson Pan, concorda com as novas exigências. ''Temos que cumprir as medidas, indiscutivelmente, e já estamos providenciando.''
Vilmar Sebold, superintendente da Cocari, afirma que as fiscalizações são reflexo das mortes ocorridas e que o Ministério do Trabalho está buscando maior segurança. O técnico em segurança da Integrada, Carlos da Silva, diz que a segurança no trabalho já existe, mas de acordo com a Lei 6.514 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que dispõe sobre o tema.
Ele admite que essas medidas estão ultrapassadas e afirma que a diretoria da Integrada já deu carta branca para que todas as readequações sejam feitas.
Segundo o chefe de comunicação da DRT, o custo da readequação do sistema de segurança das cooperativas é estimado em R$ 6 mil. Já Carlos da Silva acredita que a Integrada irá gastar cerca de R$ 25 mil em cada uma de suas 33 unidades.

mockup