Drogas serão discutidas em sala de aula
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domingo, 08 de maio de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A partir do segundo semestre, alunos do ensino fundamental, médio e superior do Paraná vão poder falar com mais frequência sobre drogas em sala de aula. Decreto assinado recentemente pelo governador Roberto Requião obriga todas as escolas estaduais a instituírem o Programa de Formação da Cidadania Plena, que prevê a inclusão de disciplina que trate sobre o tema Cidadania e Qualidade de Vida, com enfoque na prevenção do uso de drogas lícitas e ilícitas em disciplinas afins.
A definição das disciplinas que deverão abordar o assunto será feita pelas Secretarias de Estado da Educação (no caso do ensino fundamental e médio) e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), em conjunto com as universidades e faculdades. Segundo texto divulgado pela assessoria de imprensa da Seti, as Secretarias da Saúde e da Justiça deverão dar todo o apoio técnico à implantação. Os cursos de capacitação destinados aos profissionais da Educação das instituições de ensino do Estado também deverão conter o tema no currículo.
''Nosso objetivo é formar professores de nível superior para dar aulas que abordem o resgate de valores, questões éticas, qualidade de vida, que são fatores protetores da pessoa quanto ao consumo de droga. Quer dizer, a idéia não é abordar o consumo de droga em si, mas sim o comportamento de quem consome'', afirma Cleuza Canan, da Coordenadoria Estadual Anti-Drogas.
O chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, um dos idealizadores do decreto, ressalta que ''será essencial a informação segura e correta dos direitos e garantias individuais, aliada ao fortalecimento da auto-estima dos estudantes''.
O coordenador de Ensino Superior da Seti, Tarcísio Trindade, esclarece que a inclusão do tema na sala de aula não vai acontecer de uma hora para outra. ''As disciplinas que fazem parte do currículo dos cursos são aprovadas pelos Conselhos de Ensino e Pesquisa das universidades, portanto as mudanças deverão passar pelo crivo destes conselhos. O que fizemos foi desencadear o processo.''
Para a assistente social Denise Kopp Zugman, especialista em dependência química e terapia familiar, a iniciativa do governo é louvável, mas é preciso atenção especial para a forma de abordagem do assunto. ''O decreto é muito interessante porque vai contemplar a prevenção primária, que evita a experimentação. Porém, se não for totalmente descartada o que chamamos de 'pedagogia do terror', não vai funcionar.''
Denise ressalta que sabe-se atualmente que os modelos mais saudáveis e eficientes são aqueles baseados na valorização da vida, com a abordagem do tema a partir de um contexto mais amplo e profundo. ''A questão deve ser trabalhada de forma séria, científica e acolhedora'', recomenda.
Segundo a assistente social, o momento é oportuno para iniciativas como a tomada pelo Governo. ''O consumo de drogas tem aumentado muito nas escolas, principalmente nas faculdades. Reina uma cultura de permissividade hoje em dia.'' Ela lembra, porém, que para reverter este quadro é preciso ainda o envolvimento das famílias. ''Os pais também têm que ser orientados'', destaca. (Colaborou Maigue Gueths)


