O delegado-chefe da 15ª Subdivisão Policial (SDP) de Cascavel, Osnildo Carneiro Lemos, contestou ontem a existência de alarme público sobre o tráfico de drogas na cidade. O preocupação foi gerada após o deputado estadual Edgar Bueno (PDT) ter relatado à população que seu filho adolescente ‘‘desgraçadamente caiu nas garras dos traficantes’’ e ao mesmo tempo acusando policiais de acobertar o tráfico. Outra reação partiu da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra contestações feitas por setores da sociedade, inclusive policiais, pela defesa de acusados de tráfico.
Apesar das constantes prisões de traficantes e grande volume de drogas apreendidas em rodovias de acesso a Cascavel e mesmo na cidade, a situação só mereceu grande atenção da comunidade após Edgar Bueno relatar publicamente (e aos prantos) o drama de sua família.
Órgãos de Imprensa, entre eles a Folha, que passaram a tratar do assunto, têm sido procurados por outros pais, relatando a mesma situação, mas pedindo a preservação da identidade. A maioria destes pais são influentes na política e negócios, e eles contestam a atuação policial e de advogados que defendem acusados de tráfico.
Os pais também criticam juízes que determinam a soltura de acusados cuja culpa entenderam não estar comprovada nos inquéritos policias, como ocorreu na semana passada com dois presos acusados de traficar 14 quilos de cocaína e 70 quilos de maconha.
O delegado Osnildo Carneiro Lemos distribuiu carta aberta, na qual recorre ao dicionário do Aurélio para se referir ao termo alarme, afirmando não ser verdadeira a existência de alarme público ‘‘se isso significa tumulto ou comoção’’ quanto à situação da segurança pública em relação às drogas. ‘‘Se significa que a Polícia está alerta, é correto’’, acrescentou.
O delegado informou que o deputado Edgar Bueno já comunicou que nos próximos dias irá a 15ª SDP esclarecer a acusação que fez, de envolvimento de policiais. ‘‘Ele e os outros pais têm o dever de auxiliar a Polícia, identificando os envolvidos’’, disse, fazendo um reparo: ‘‘Não acredito que policiais acobertem tráfico aqui, porque os demais os rechaçariam de pronto’’. Segundo Osnildo, são os próprios traficantes que ‘‘espalham’’ a existência da cobertura policial para que consumidores ‘‘tenham a sensação de estarem seguros’’.
Osnildo defendeu as ações policiais, observando que 25% dos 250 recolhidos ao minipresídio são envolvidos com o narcotráfico, nos últimos 25 dias foram realizados 14 flagrantes e, no ano, já são 50 flagrantes. Em sua carta aberta, Osnildo trata com cautela a libertação de acusados, ‘‘em que pese a indignação de toda a classe policial, porque assim permite a lei’’.
Sobre os advogados, o delegado começa com cautela mas frisa que ‘‘há os que só visam o lado financeiro’’. Ao final, Osnildo Lemos afirma que ‘‘é preciso reconhecer que quem decide se solta ou não é a Justiça’’.
O presidente da OAB, Maurício Vieira, tem conhecimento da contestação de setores da sociedade ‘‘e da própria Polícia’’ ao trabalho profissional dos advogados, e reage. ‘‘É um absurdo negar a assistência aos acusados, isto é resquício da ditadura’’.
Maurício salienta que é preciso considerar ‘‘a total ineficiência ao combate ao tráfico’’, o que atribui à ‘‘falta de preparo’’ de policiais ou de recursos para sua atuação, ‘‘mas também à existência de corrupção, o que é um problema nacional e mundial ’’.
Para o vice-presidente da OAB, Cléber de Oliveira, atrair a atenção para os advogados que defendem acusados de tráfico ‘‘é apenas uma forma de tentar inibir sua atuação e o próprio direito constitucional da defesa aos acusados’’. Cléber completa: ‘‘Ninguém é culpado antes de ser julgado, e quem julga é a Justiça’’.

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