As bebidas alcoólicas, o cigarro e os medicamentos - as chamadas drogas lícitas - são hoje a maior preocupação do Conselho Estadual de Entorpecentes (Conen). Para o presidente do órgão, Carlos Abel Fiorucci, estas substâncias são as portas para o vício, principalmente para jovens e mulheres que começam a se drogar depois de ingerir bebidas e medicamentos dentro de casa por um longo tempo.
Fiorucci disse que o álcool lidera as estatísticas dos problemas de dependência. O tabaco vem em segundo lugar, seguido pelos remédios à base de diazepínicos. Depois vêm os solventes, como cola de sapateiro e gasolina e só então as drogas - maconha, cocaína e crack. ‘‘Bebendo socialmente, eles acabam ficando dependentes e viciados em drogas pesadas, o que mostra que esta situação tem de ser combatida’’, disse.
Fiorucci citou estatísticas que comprovam que a dependência às drogas lícitas vem ganhando espaço na sociedade. Atualmente mais de 50% dos pacientes internados em hospitais psiquiátricos são dependentes do álcool. Outro dado significativo mostra que 35% das pessoas já abusaram das bebidas alcoólicas e que 10% vivem uma relação de dependência. Este trabalho revela que pessoas cada vez mais jovens vêm sendo vítimas da dependência alcoólica, existindo casos em que jovens se internam aos 19 anos de idade para se livrarem do vício. Como a dependência ao álcool se estabelece cerca de dez anos após o uso regular, esses casos revelam que essas pessoas começaram a beber aos nove ou dez anos de idade.
Dentro desse cenário, as drogas ilícitas, como a maconha, a cocaína e o crack, ocupam um espaço bem menor na sociedade, principalmente pelo trabalho de combate desenvolvido pela estrutura policial.
Segundo Fiorucci, os números relacionados ao álcool mostram a importância de campanhas junto ao público jovem, que é bombardeado por propagandas de cigarros e bebidas, sempre com forte apelo de consumo. ‘‘Entretanto faltam verbas para a realização de campanhas educativas, pois o Conen é um órgão normativo e não executivo e não dispõe de orçamento para isto.’’
Para Fiorucci, este quadro pode mudar a partir do momento em que o Fundo Estadual de Prevenção aprovado pela Assembléia Legislativa seja normatizado e passe a receber recursos para funcionar.‘‘A partir daí o trabalho de prevenção, tratamento e acompanhamento vai ganhar novo impulso.’’
Outro ponto que interfere negativamente no trabalho do Conen é a ausência de pesquisas sobre o perfil do usuário, que serviriam para orientar as campanhas de esclarecimento. Este fato motivou a Secretaria Estadual de Saúde em conjunto com a Universidade Estadual do Paraná (UFPR) iniciassem a produção de dois trabalhos: o primeiro, um estudo epidemiológico sobre a população do Paraná e o segundo abordando a qualidade de vida do servidor público da UFPR.
O primeiro levantamento vai pesquisar profundamente os efeitos das drogas sobre o organismo dos paranaenses. O segundo vai tentar levantar como vivem e como as drogas lícitas e ilícitas influenciam a vida dos cerca de 20 mil alunos, professores e servidores - que passam todos os dias pela UFPR. Posteriormente, o trabalho, que ainda não tem data prevista para terminar, vai ser distribuído em todo o Estado.

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