Drogas levam mais mulheres à prisão
Luciana Pombo
Mulheres com idades entre 18 e 25 anos, sem vínculos familiares, com o primeiro grau incompleto e cumprindo pena por tráfico de drogas. Este é o perfil da maioria das presas que estão cumprindo pena na Penitenciária Feminina de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo a diretora da unidade, Vera Lúcia Domingues dos Santos, 80% das internas cumprem penas pequenas por tráfico de drogas. A média de tempo de condenação é de cerca de quatro anos. A maior parte entra aqui por causa dos companheiros. Elas não tinham qualquer tipo de qualificação profissional e resolveram auxiliar o trabalho do tráfico de drogas, afirma ela.
De acordo com Vera Lúcia, as internas são muito jovens e não têm vínculos familiares. Estas mulheres não têm estrutura nenhuma. Elas não têm referência familiar, afetiva ou pessoal. Muitas acabam saindo daqui e voltam a praticar o tráfico, diz. Há quatro anos, o perfil das internas era diferente. A maioria era homicida e tinha matado o próprio marido. As coisas mudaram, as mulheres mudaram e são mais independentes. É mais difícil lidar com este tipo de clientela. Elas exigem visitas íntimas regulares, querem roupas, música. Estão numa fase de querer viver a vida, afirma ela, recordando as dificuldades passadas na rebelião ocorrida no ano passado.
Apenas duas das 141 internas da Penitenciária Feminina são acusadas de tráfico internacional de drogas. As demais foram condenadas e classificadas como traficantes, mas estavam transportando ou comercializando pequenas quantidades da droga. A vendedora Cleusa Teixeira de Moreira, de 56 anos, foi condenada por tráfico internacional. Ela já cumpriu 2,5 anos de uma pena de 4,4 anos. Apesar de ser denominada como traficante, ela alega que nunca viu cocaína. Ela foi presa no Aeroporto de Lodrina com 400 gramas de cocaína droga que seria levada para a Itália. Fui convidada para transportar a droga. Iam me pagar bem para isto. Eu estava com dificuldades econômicas e acabei aceitando. A primeira vez que peguei um pacote de drogas já fui presa, argumenta.
Cleusa teve que deixar filhos e netos para cumprir a pena e trabalha desde que entrou na prisão. Só penso em sair daqui e ir ver meus familiares. O que ocorreu comigo foi uma fatalidade e que vai deixar uma cicatriz profunda pro resto da minha vida. Acho que ficarei marcada para sempre, desabafa. A vendedora era apenas alfabetizada e terminou o primário na penitenciária.
A professora Vânia Colanzi, de 32 anos, também foi presa num aeroporto, mas com uma quantidade bem maior de droga. Ela foi levar um quilo de cocaína que seria transportado para a Alemanha. O que não consegui entender é que dei o nome dos traficantes grandes, mas eles não foram procurados pela polícia, nem ao menos interrogados, acusa. Vânia trabalhava no Paraguai vendendo produtos eletrônicos no atacado e foi convidada de acordo com ela para auxiliar o dono do local no tráfico de drogas. Nunca fui viciada, nem nada. Fiz o trabalho para ganhar dinheiro. Como eu falava inglês e árabe, ele confiou em mim e resolveu me oferecer o trabalho, diz.
Presa há dois anos e quatorze dias, a professora só pensa em deixar o local. Trabalho desde que cheguei e já consegui oito meses de remissão de pena, declara. Quando sair da prisão, Vânia pensa em reencontrar a família e lutar para que os grandes traficantes sejam investigados e presos pela polícia. (L.P.)Mais de 80% das internas na Penitenciária Feminina de Piraquara cumprem penas leves por tráfico de drogas
Fotos: José SuassunaA SENHORAA vendedora Cleusa Teixeira de Moreira, de 56 anos, foi condenada por tráfico internacional de drogas e já cumpriu 2,5 anos de uma pena de 4,4 anosPEIXE PEQUENOA professora Vânia Colanzi: Dei o nome dos traficantes grandes, mas eles não foram procurados pela polícia, nem ao menos interrogados





