Drogas e álcool dominam policiais civis
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de junho de 2002
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba O Centro de Atendimento Psicossocial (CAP) da Polícia Civil do Paraná está preocupado com o alto índice de alcoolismo entre os membros da instituição. Levantamento feito entre os policiais que procuraram ou foram encaminhados para o setor no ano passado apontou que 62% deles têm comprometimento com o álcool, 20% são envolvidos com outras drogas como crack e cocaína e 18% apresentam transtornos de personalidade psicoses, depressão e outros desvios de comportamento.
Apesar do alcoolismo muitas vezes estar relacionado a características genéticas, para o coordenador geral do CAP, psicólogo Menyr Antônio Zaitter, o tipo de trabalho e o meio em que o policial está inserido acabam se tornando facilitadores da dependência química. O policial, lembra ele, está exposto a todos os tipos de drogas e tem uma atividade estressante e violenta. A própria conduta profissional acaba levando a pessoa, num prazo de 10 anos, a desenvolver o alcoolismo, mesmo que não seja genético, afirmou.
Zaitter ainda não tem um levantamento do percentual de alcoolistas que procuraram ajuda do centro este ano, mas sabe que o índice vem crescendo. De dezembro do ano passado a abril deste ano, o CAP prestou 822 atendimentos, o que corresponde a praticamente 40% da demanda atendida durante todo o ano de 2001 (cerca de 2,1 mil policiais e familiares diretos).
O delegado geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, contesta o levantamento feito pelo CAP. Essa é uma estatística absurda, que não corresponde à realidade, criticou. Ribeiro admite que o problema existe, mas garante que não chega a ser alarmante. O policial está sujeito a desvio de conduta pela natureza da função que ele exerce. Mas num universo de 4 mil policiais o número não é tão significativo, considera.
Ribeiro afirma que está buscando melhorar a estrutura do CAP porque acha importante o trabalho de acompanhamento psicossocial não para aqueles que têm problemas de dependência, mas para todos os policiais devido ao estresse da profissão. A intenção é arranjar uma sede própria para o CAP, que hoje funciona junto da Escola Superior de Polícia, e criar um quadro próprio de pessoas especializadas na área.
Zaitter sugere como medidas preventivas para diminuir os problemas de dependência química entre os policiais, melhorar os critérios de seleção, inserir no currículo da Escola Superior de Polícia uma disciplina relacionada à orientação sobre o uso de drogas e orientar as chefias sobre como encaminhar os casos de desvio de conduta.
O delegado geral disse ainda que no último concurso de investigadores e delegados os critérios de seleção já foram mais rigorosos. O candidato, segundo ele, passou por uma investigação de sua vida pregressa para avaliar sua conduta do ponto de vista social e familiar.
Crimes no Paraná
Tipo de crime - - 1998 - 1999 - - 2000 - - 2001
Contra a pessoa - - 25.707 - 21.764 - 22.106 - - 28.727
Contra o patrimônio - 85.539 - 62.335 - 85.515 - - 116.372
Contra os costumes - 1.622 - 1.277 - 1.270 - - 2.959
Ocorrências diversas - 3.008 - 2.955 - 3.541 - - 4.786
Furto/roubo veículos - 13.787 - 14.603 - 12.452 - - 14.803
Total - - - 129.663 - 102.934 - 124.884 - - 167.647
Fonte: Setor de Estatística da Polícia Civil


