Drogas, armas e mulheres
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004
Luciano Augusto<BR>Reportagem Local 
Se confirmadas as denúncias que presos do 4º Distrito Policial de Londrina (Zona Sul) fizeram à Promotoria de Investigações Criminais (PIC), o local funcionava mais com um clube do que como uma unidade prisional. Segundo relato dos presos, quem tinha dinheiro comprava drogas e bebidas alcoólicas, participava de churrascos, recebia prostitutas, travestis e até armas. Na última terça-feira, 11 presos fugiram do distrito e quatro policiais civis foram presos um já teve a prisão relaxada por suspeita de facilitação de fuga. Três deles também são suspeitos de envolvimento com as irregularidades denunciadas.
Logo após a fuga, foram presos os policiais civis Luciano Acioli de Oliveira, Israel Henrique de Lima e Wilson de Oliveira. Os dois últimos já estavam detidos no 4º DP acusados de concussão (extorsão praticada por funcionários públicos). Eles foram acusados de participar no esquema por três presos do distrito. No mesmo dia, o único carcereiro que tomava conta dos 40 presos, Jones José de Oliveira, também foi detido mas liberado um dia depois, a pedido do Ministério Público. Ele continua sendo investigado mas o coordenador da PIC, promotor Leonir Batisti, informou que a soltura ocorreu porque outros sete presos ouvidos anteontem não confirmaram sua participação em nenhuma das acusações.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, alguns presos declararam que teriam pago R$ 7 mil para fugirem. Eles também afirmaram que, quem tinha recursos, podia adquirir o que quisesse dentro da cadeia. A PIC já investigava as informações de irregularidades no 4º DP desde 27 de janeiro, quando houve uma fuga.
O juiz da 1 Vara Criminal, João Cléve Machado, também se disse ''perplexo e surpreso'' com a denúncia apresentada pela PIC. Mesmo assim, eleponderou que é preciso cuidado e seriedade na apuração dos fatos, uma vez que se trata de acusações de presos contra policiais. ''Se tiver que escolher, optarei pela palavra do policial'', ressaltou. Depois de receber mais documentos ontem, ele anunciou que hoje se manifestará sobre o pedido de relaxamento da prisão dos policiais.
O juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, disse que tinha sido informado pela PIC sobre as irregularidades e que a fuga acelerou a apuração dos fatos. O
delegado-chefe da 10º Subdivisão, Jurandir Gonçalves André, declarou que tomou conhecimento das denúncias através da PIC. Ele reafirmou que as duas fugas estão sendo investigadas em razão da suspeita de ter havido negligência.


