As histórias de vida dos jovens internos de presídios paranaenses seguem roteiros parecidos. A droga quase sempre está presente: Ronaldo Reis dos Santos usou crack pela primeira vez aos 15 anos; Antônio Marques Pacheco, 22, com sentença até 2023 por homicídio, começou a roubar para sustentar o vício quando tinha 17.
A escola em algum ponto se torna algo secundário. Pacheco largou os estudos aos 11 anos porque estava sempre mudando de endereço devido ao trabalho do padrasto, domador de cavalos. Altemar da Silva Francisco, 25, condenado por latrocínio, desistiu após concluir o Ensino Fundamental. ''Não continuei estudando por falta de condições'', alega ele, sem dar maiores detalhes.
O mundo do crime se torna mais atraente. ''Eu sempre sentia falta de alguma coisa em casa, um tênis novo, uma bicicleta. Meu pai montou um negócio de conserto de bicicletas e motos para eu manter quando eu era adolescente. Não deu certo. Eu não tinha envolvimento com drogas. Comecei a conhecer o crime e vi que podia conseguir dinheiro de uma forma mais fácil. Primeiro roubava boné e skate, depois passei a roubar carros'', diz Francisco.
É um caminho que se inicia sempre com companhia e ao qual se chega ao final sozinho. ''A maioria dos meus amigos estava envolvida com crimes'', lembra Pacheco. ''Tive muitas amizades erradas. Aí vem um convite para ajudar em algum roubo e quando você vê já está envolvido'', diz Francisco. ''Dos meus amigos daquela época, quase todos estão presos ou morreram''.
Quando a trilha é interrompida pela prisão, o tempo pára. Etapas são queimadas, os dias parecem não ter fim e a vida continua do lado de fora. ''Tenho duas filhas, uma de 10 e outra de 8 anos. Não pude acompanhar o crescimento delas. Só vejo as duas em dia de visita'', lamenta Ronaldo dos Santos.
É tempo perdido, não pode ser recuperado. E a angústia permanece porque há mais tempo a perder. ''Se eu saísse hoje da cadeia, poderia te dizer que não voltaria para o crime'', afirma Francisco. ''Mas eu tenho mais 11 anos e dois meses de sentença para cumprir, e eu não sei o que vai ser de mim na época em que eu estiver para sair. Não sei como vai estar minha cabeça. Posso nem estar vivo''. (F.G.)

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