Rubens Burigo Neto
De Curitiba
A maioria das meninas que se prostituem em Curitiba, como revelou matéria de ontem na Folha, está sendo levada à esta prática devido ao estreito relacionamento com o uso de drogas e abusos sexuais praticados dentro de casa. A avaliação é da diretora da Secretaria Municipal da Criança, Ângela Mendonça, que coordena os trabalhos de resgate social destas crianças.
‘‘Os homens abusam da dependência das drogas destas meninas para conseguir um programa sexual barato’’, revelou. Ângela afirmou que as equipes de educadores sociais da secretaria estão constantemente visitando os pontos de prostituição e boates, no centro e na periferia da cidade, para identificar e recolher menores que estejam se prostituindo.
No ano passado, informou, metade dos 505 adolescentes recambiados para outras cidades pelo programa SOS Criança eram meninas e muitas delas tinham se prostituído. ‘‘Tentamos de todas as maneiras, nas abordagens com meninas e meninos de rua, evitar que eles passem a se prostituir para poder sobreviver’’, explicou. Ângela salientou que nas blitze pelas ruas os educadores sempre acabam encontrando meninas já cadastradas como prostitutas. ‘‘A cada 15 dias, nas visitas a boates, resgatamos em média três garotas para nossas unidades de abrigo.’’
Nestas unidades, contou Ângela, as meninas participam de atividades educacionais, artísticas e, sobretudo, psicológicas. ‘‘O abuso sexual praticado por familiares contribui para a prostituição começar cedo. As garotas sentem desprezo pelo corpo, que foi violado, e vão para as ruas’’, explicou.
Por isso, disse ela, é reforçado o trabalho de recuperação da auto-estima para possibilitar o reatamento dos laços familiares. ‘‘Geralmente esta é o problema mais delicado provocado pela prostituição infantil. As meninas têm vergonha em admitir que algum parente a violentou e se recusam a voltar para casa’’, destacou Ângela.