Droga consegue 12 meses sem recidiva
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de junho de 2000
Agência Estado 
O laboratório Roche reuniu no último final de semana cerca de 450 oncologistas em um seminário, em São Paulo, no qual apresentou a confirmação da eficácia de três de seus novos medicamentos para utilização em quimioterapia. Embora se encontrem à disposição dos hospitais, públicos e particulares, no Brasil e em outros países, cada um deles se encontra em estágios diferentes de testes. O que se busca obter são números mais precisos sobre o intervalo entre sua utilização e a recidiva para o paciente e quais serão suas taxas médias de cura.
Esses três medicamentos, MabThera, Xeloda e Herceptin, visam o combate do câncer linfático; de mama e colo retal; e de mama, respectivamente. Também estão sendo avaliados os resultados de cada um deles em sua utilização em conjunto com a quimioterapia conhecida ou isoladamente. A principal convergência entre eles é a possibilidade de combater o câncer sem trocar os sintomas da doença pelos do tratamento.
Ocorre que, de um modo geral, ao se aplicar a quimioterapia, o paciente sofre com problemas que variam desde a falta de ar, queda de cabelo, vômitos, alterações na pressão arterial e, sobretudo, a queda de sua capacidade imunológica. Com isso, muitos são obrigados a ficar internados para se recuperar do desgaste sofrido com a quimioterapia, o que não ocorre, segundo os estudos apresentados pela Roche, com os três novos medicamentos.
O MabThera foi desenvolvido para atender aos doentes vítimas de alguns tipos de linfoma, gânglios que podem surgir em qualquer parte do organismo, e que exigem sessões periódicas de quimioterapia. Com a nova droga o período entre uma aplicação e outra, que variava de três a seis meses, já apresenta casos em que a pessoa atinge 12 meses sem apresentar recidiva, prazo este que pode ainda ser superado. O medicamento apresenta um custo inicial de R$ 17 mil para cinco dias de aplicação, mas, por reduzir os períodos de internação acaba tendo custos equivalentes aos demais quimioterápicos ao longo de seis meses de tratamento.
Outra droga inovadora é o Xeloda, de uso oral, utilizada no tratamento de certos tipos de câncer de mama e colo retal. Basicamente pode-se dizer que o Xeloda funciona como uma espécie de veículo que carrega em seu interior o medicamento 5FU, criado há cerca de 40 anos, e que circula pelo corpo combatendo o tumor onde o encontra. A novidade é que o Xeloda tem alguns fatores capazes de identificar as células do tumor e nela se instala. Quando isso ocorre, o 5FU, que está em seu interior, é liberado e realiza o ataque ao tumor, ou seja, sua ação destrutiva torna-se mais eficaz na região da doença e é mais branda em outras partes do corpo não afetadas. Além dos benefícios já apresentados, o Xeloda tem demonstrado uma redução da ocorrência de metástase, em 50% dos pacientes que o utilizaram.
Para combater o câncer de mama metastático, ou seja, em fase avançada, vem sendo utilizado o Herceptin, que é aplicado em pacientes que apresentam o aumento da proteína HER2, relacionada com o crescimento do tumor e que corresponde a cerca de 30% dos casos. Para o doutor Brian Leyland-Jones, chefe do departamento de Oncologia da Mcgill University, em Montreal, no Canadá, o Herceptin representa o mais significativo impulso no tratamento de câncer avançado nos últimos 40 anos.
Quando perguntado sobre a possibilidade de aumentar as taxas de cura total dos pacientes e não só sua expectativa de vida, o professor Charles Vogel, do Sylvester Comprehensive Cancer Center, da Escola de Medicina da Universidade de Miami, afirmou que em dez anos o mundo conhecerá uma nova realidade no tratamento dos diversos tipos de câncer. Para chegar a esse salto de qualidade a ciência continuará buscando soluções para cada tipo de câncer, o importante é que em meio a esse trabalho, medicamentos como os que foram avaliados no encontro em São Paulo, aparecem como um meio eficaz de prolongar a vida do doente. Melhor ainda se a palavra vida puder ser empregada, não só para descrever um melhor funcionamento do organismo, mas também com a retomada do prazer de viver, da alegria e de tantos outros estímulos. (E.I.)


