Dramaturgo londrinense continua internado em estado grave
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segunda-feira, 07 de dezembro de 2009
Fernanda Borges com Folhapress<br>Reportagem Local 
O dramaturgo londrinense Mário Bortolotto, 47 anos, continua internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Vítima de pelo menos dois disparos de arma de fogo durante uma tentativa de assalto na madrugada de sábado, Bortolotto deu entrada no hospital inconsciente e respira por aparelhos.
Na tarde de ontem, a assessoria do hospital divulgou em boletim oficial que o quadro de saúde de Bortolotto permanecia grave, porém, estável e que a equipe médica havia diminuído a quantidade de medicamentos. Na nota, o médico Vicente Dorgan Neto citou uma grande preocupação quanto ao risco de infecção, mas disse que se este quadro evolutivo permanecer, Bortolotto poderá acordar dentro de 24 horas.
O crime aconteceu por volta das 5h30, no Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt, centro da capital paulista. Durante a tentativa de assalto, o músico e desenhista Henrique Figueroa, conhecido como ''Carcarah'', amigo de Bortolotto, também foi atingido com um tiro na perna, mas passa bem.
Familiares do dramaturgo que residem em Londrina, como sua ex-mulher, a filha de 18 anos e a irmã, foram para São Paulo assim que receberam a notícia por meio de amigos. Elas chegaram no início da tarde de sábado em São Paulo e permanecem no local, junto com amigos, aguardando notícias da evolução do quadro de Bortolotto. A irmã, Eliane Bortolotto, disse à reportagem da Folha que já teve acesso ao irmão duas vezes e que em uma delas ele chegou a manifestar pequenas reações. ''Ele responde aos estímulos neurológicos e percebemos que ele entende quando falamos com ele. Vamos aguardar esse momento pós cirúrgico que é bastante importante, como os próprios médicos nos falaram. Muitos amigos tem vindo aqui no hospital dar apoio também'', comentou.
Ainda segundo a irmã, Bortolotto recebeu oito bolsas de sangue e amigos que estiveram no local do crime confirmaram que ele teria reagido ao assalto. ''Comentaram que ele reagiu quando um dos assaltantes ameaçou machucar alguém'', disse.
A assessoria de imprensa do hospital informou que o dramaturgo teve pontos vitais atingidos, como o coração e um pulmão. Apesar disso, ele tem respondido bem às duas cirurgias que foram feitas, além de já ter recebido uma grande quantidade de sangue. Até ontem a polícia de São Paulo ainda não tinha pistas dos assaltantes, mas divulgou pela Internet a imagem de um dos bandidos, registrada pelo câmera vigia do Espaço.
Em homenagem ao dramaturgo, atores, artistas, amigos, jornalistas e frequentadores da Praça Roosevelt realizaram ontem à noite, um ato público pela recuperação de Bortolotto, com a leitura de trechos de peças e poemas de sua autoria. Os espetáculos que estão em cartaz no Espaço Parlapatões - ''O papa e a bruxa'', ''Brutal'' e ''Anatomia frozen'' - não serão apresentados por tempo indeterminado.
O grupo de teatro Parlapatões organizou um ato na noite de ontem pela recuperação de Mário. Amigos, artistas, público, frequentadores da praça, vizinhos e jornalistas compareceram ao Espaço Parlapatões às 21 horas. Segundo nota publicada no blog do grupo, ''o teatro não vai se intimidar com a violência, muito menos se submeter aos bandidos, aos que querem a escuridão nas ruas, aos querem que o povo fique em casa, acuado''. ''Mário Bortolotto é um símbolo de nossa Praça Roosevelt. Seu estado de saúde é grave, mas está resistindo e viverá''.
O grupo não apresentou a peça O Papa e a Bruxa, na noite de ontem para que todo o elenco, artistas, produtores, técnicos e funcionários do teatro pudessem participar do ato. ''Vamos ler trechos de suas peças, seus poemas e vamos mostrar que o nosso palco não está a serviço das tragédias reais, mas que faz dramas, comédias e tragédias para dar fôlego à sociedade para enfrentar suas mazelas. O Teatro resistirá mais uma vez. Bortolotto viverá e escreverá muito mais de nossa história!'', dizia o comunicado.
Carreira - Mário Bortolotto nasceu em Londrina em 1962 e vive em São Paulo desde os anos 1990. Ele é um dos reponsáveis pela revitalização da Praça Roosevelt, que fica em frente ao local do crime. A revitalização da praça aconteceu através do teatro, junto com os grupos Os Satyros e os próprios Parlapatões.
Em 2008, Bortolotto recebeu o prêmio Shell de Teatro pelo espetáculo ''Nossa vida não vale um Chevrolet''. Fundador do Grupo Cemitério de Automóveis, Bortolotto escreveu e dirigiu várias peças de teatro. Recentemente gravou um disco com a banda Saco de Ratos. A banda esteve em Londrina no final de setembro participando do Festival Literário - Londrix. Até o dia 11 de dezembro está programado a exibição do espetáculo ''Brutal'' em São Paulo, mais recente obra do dramaturgo que aborda um grupo de jovens envolvido por uma seita de fanáticos. (Colaborou Micaela Orikasa)


