Drama no Banestado completa 10 anos
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terça-feira, 18 de março de 1997
Osmani Costa 
Arquivo FolhaDia de cãoAssaltantes deixam agência protegidos por reféns: primeiro grande assalto a banco na Cidade Era aniversário de Londrina, mas não feriado. Por volta das 11 horas, a agência centro do Banestado - no Calçadão, entre as ruas Pernambuco e Hugo Cabral -, estava lotada, como sempre acontecia no dia 10 de cada mês. Mas aquele dia 10 de dezembro de 1987, uma quinta-feira, seria diferente e entraria para a história da Cidade. Sete homens mascarados e fortemente armados entraram na agência, fizeram como reféns cerca de 300 pessoas - entre clientes e funcionários - e iniciaram aquele que ficaria conhecido como o primeiro grande assalto a banco de Londrina. Tudo foi muito espetacular, cinematográfico até.
O assalto só terminou no início da noite, às 18h20, quando depois de longas negociações com as autoridades policiais os assaltantes levaram, em um ônibus do Instituto de Hematologia de Londrina, 30 milhões de cruzados e 12 reféns. Durante as mais de sete horas que durou o assalto, o clima de tensão foi intenso. A polícia isolou a área próxima da agência, mas centenas de pessoas foram ao Calçadão para acompanhar o drama. Muitos dos reféns passaram mal dentro do banco e necessitaram de cuidados médicos. Aos poucos, durante a tarde, eles foram sendo soltos pelos assaltantes. Emissoras de rádio e TV da Cidade transmitiram ao vivo, do local, boletins com os principais detalhes.
O ônibus com os assaltantes e reféns saiu de Londrina em direção a Sertanópolis (região norte). Durante a noite, os assaltantes interceptaram outros ônibus, fizeram novos reféns, trocaram de veículos várias vezes e depois seguiram para o interior de São Paulo. Eles foram cercados pela Polícia Rodoviária no km 91 da rodovia Castelo Branco, perto de Sorocaba (SP), na manhã do dia 11. Depois de três tiroteios, um dos assaltantes foi baleado. Assustados, eles abandonaram cinco dos oito malotes de dinheiro, liberaram os reféns - nenhum foi ferido - e se embrenharam em uma mata de pinus e eucaliptos.
Até o início daquela noite, nenhum assaltante havia sido capturado. Toda esta operação, que durou cerca de 30 horas - desde o começo do assalto - envolveu aproximadamente 2.700 policiais civis, militares, e rovodiários do Paraná e São Paulo. Durante a fuga, os assaltantes se separaram e foram sendo presos um a um a partir do sábado. Na terça-feira, dia 15, todos já haviam sido presos e identificados pelas polícias dos dois estados. Quase todo o dinheiro foi recuperado. Cumprido o processo burocrático, eles foram transferidos de volta a Londrina e apresentados à imprensa na sexta-feira. Eram todos jovens - entre 18 e 22 anos -, sem antecedentes criminais, parentes e amigos entre si.
Manoel Antônio Rodrigues, conhecido também como Moreno, foi quem planejou o assalto e liderou o grupo. Os demais integrantes eram: Antonio Marcos Rodrigues, Walter Antônio Rodrigues, Ricardo de Souza Caetano, João Henrique de Souza Caetano, Sebastião Cassemiro da Silva e Ismael Severino da Silva. Eles aguardaram o julgamento no Cadeião da rua Sergipe, no centro da Cidade. Tentaram algumas fugas. Uns conseguiram êxito, outros não. Os que fugiram foram recapturados rapidamente. Em abril de 1988, eles foram condenados pela 4ª Vara Criminal de Londrina a penas que, somadas, passavam dos 48 anos de reclusão.
A maior pena foi para o líder Manoel Rodrigues: 9 anos e quatro meses. A menor foi a de Ismael da Silva: 7 anos e dois meses. Eles foram então transferidos para a Penitenciária Central do Paraná - em Piraquara, região metropolitana de Curitiba - e de lá recambiados para Penitenciária Estadual de Londrina, inaugurada em janeiro de 1994, e para a Colônia Penal Agrícola, também em Piraquara, com regime semi-aberto.
Segundo informações do sistema penitenciário do Estado, cinco deles prosseguem presos atualmente. Antonio Marcos Rodrigues teria morrido no Hospital de Clínicas de Curitiba, com problemas respiratórios, em dezembro de 95. Ismael da Silva fugiu da Colônia Agrícola em abril de 94 e ainda não foi recapturado.


