Copa do Mundo, gol e muita esperança de ser pentacampeão. Cada um tem seu jeito de torcer e vestir a camisa da seleção brasileira. E as drag-queens Talessa, de 23 anos e Fernanda Rockfeller, de 19 anos, decidiram levar para o Calçadão mais uma forma de torcer pelo Brasil. ‘‘Tudo é alegria. É um motivo a mais para festar e vestir nossas fantasias’’, explica Talessa.
A idéia foi do cabelereiro paulista Robson Alcanty, especialista em preparar - cabelos e maquiagem - de drag-queens. ‘‘Em São Paulo tem sempre promoções e festas com a participação desses artistas. Londrina precisa descobrir a alegria que elas podem trazer a qualquer evento’’, incentiva.
Mario CesarNo cabeleireiro: preparativosAlcanty está em Londrina há um ano e meio e diz que as drag-queens da cidade só têm conseguido reconhecimento fora. ‘‘Temos profissionais daqui que são disputadíssimas em desfiles e eventos em São Paulo e Rio de Janeiro’’, conta. Talessa é considerada a primeira drag-queen ‘‘top’’ de Londrina e é constantemente chamada para shows e desfiles em São Paulo.
‘‘Ser drag-queen é uma profissão que exige dom e dedicação. Cada vez que me preparo para uma apresentação mudo tudo: voz e jeitos. Visto um personagem’’, explica. Ela explica que muitas pessoas confundem o trabalho trabalho de drag-queen com homossexualismo. ‘‘O homossexualismo é uma opção sexual. Ser drag-queen é uma profissão’’, enfatiza.
Ser drag-queen é trabalhoso. Os preparativos começaram cedo - às 5 horas da manhã - para garantir o efeito ‘‘fashion’’ e ‘‘exagerado’’ característico dessas transformistas. A apresentação estava marcada para começar ao meio-dia. Com o tema ‘‘Copa do Mundo’’ na cabeça, Alcanty arrumou os cabelos das duas drag-queens com bolas de isopor, muitos cachos e cores. O resto ficou por conta do bom humor das ‘‘belas’’.
No Calçadão, a dupla e suas brincadeiras despertaram curiosidade e risos. Poucos mostraram desaprovação. Com uma peruca nas mãos, paravam as pessoas para conversar e tentavam convencê-las a vestir a fantasia. Adilson de Souza, 18 anos, atualmente desempregado, não se importou com a brincadeira e colocou a peruca. ‘‘Acho o trabalho delas muito legal; é coisa de profissional. Mas não misturo as coisas’’, frisou, deixando claro que não tem nenhuma tendência homossexual.
A promotora de vendas Lindalva Maria da Silva e sua amiga, Rose Siqueira, ambas com 20 anos, também gostaram. ‘‘As pessoas têm de ser felizes. Vestir suas fantasias e assumir seu jeito ser. Elas estão certas. Todos deveriam se soltar mais’’, acredita Lindalva da Silva.Mario CesarDeslumbreTalessa e Fernanda Rockfeller, no Calçadão, fazem de tudo para atrair a atenção das pessoasCelia Baroni

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