Maringá - Um trecho de apenas 12 km, o chamado contorno sul – ou Avenida Sincler Sambatti, como diz a nomenclatura oficial –, na zona urbana de Maringá (Noroeste), tem causado dores de cabeça e prejuízos aos motoristas.
  Para quem vem das regiões de Londrina e Apucarana o contorno é, ou deveria ser, a melhor alternativa para chegar à Cidade Canção pela BR-376, pois permite evitar os radares e o trânsito intenso da Avenida Colombo, se a intenção for seguir viagem para outras cidades das regiões Oeste e Noroste, como Cianorte e Guaíra pela PR-323 ou Campo Mourão, Cascavel e Foz do Iguaçu pela PR-317. O contorno também serve àqueles que fazem o caminho inverso – Oeste/Noroeste-Norte.
  No entanto, o trecho, que é administrado pela Prefeitura de Maringá, está sendo evitado por motoristas devido ao estado ruim de conservação, com o asfalto irregular e repleto de buracos, sem acostamento e com o capim invadindo a pista. No fim das contas, o contorno torna-se a pior parte de uma viagem que às vezes é de centenas de quilômetros. Encontrar vítimas de sua precariedade não é difícil.
  O vendedor Marcelo da Silva Alves, de Umuarama, não conseguiu desviar de um dos buracos da avenida e ficou no prejuízo, tendo um dos pneus dianteiros de seu Fiat Uno estourado e a roda danificada. ‘‘Por pouco a situação não acaba em tragédia. Com o estouro do pneu, quase colidi com um motociclista. Felizmente o prejuízo foi só material. É preciso uma solução urgente para esse trecho’’, destacou.
  O caminhoneiro Carlos Batista, de Limeira (SP), engrossa o coro e também lamenta pelas condições do asfalto do contorno. Cada vez que passa por ali transportando embalagens plásticas, fica preocupado com as molas e os pneus de seu caminhão. ‘‘Sem falar do perigo de acidente. De repente alguém tem que dar uma freada brusca por causa de um buraco e as colisões acabam acontecendo’’, lamentou.
  Por ser municipal, o contorno não faz parte do lote que está sob a administração da concessionária de rodovias Viapar. Porém, quem faz uma viagem de carro de Londrina a Campo Mourão, por exemplo, tem que desembolsar R$ 5,20 na praça de Mandaguari (BR-376), 19 km antes de chegar ao contorno e mais R$ 7,80 na praça de Floresta (PR-317), 35 km depois de sair dele.
  Da parte da Prefeitura de Maringá, projetos não faltam para o contorno, mas tudo indica que o sofrimento dos motoristas que o utilizam deve continuar por um tempo razoável. De acordo com o secretário de Serviços Públicos do município, Vagner Mússio, ainda não há dotação orçamentária para o recapeamento do trecho, que custaria R$ 4,2 milhões.
  ‘‘A melhor alternativa imediata seria o recapeamento, porém temos também outros projetos, como ampliar o contorno por mais cerca de 10 km, levando-o até a entrada de Marialva. Para isso, precisamos de uma boa parceria com os governos estadual e federal, pois atualmente a maioria dos veículos que passa por ali vêm das rodovias, mas o ônus da manutenção fica todo para o município. Por enquanto, procuramos solucionar com operações de tapa-buracos’’, explicou Mússio.
  Enquanto isso, a única pessoa que parece feliz com a situação da Avenida Sincler Sambatti é Elói Calixto, o dono de uma borracharia que fica às margens da via. Ao ser entrevistado pela FOLHA, ele disse que pelo menos três vezes por semana socorre alguma vítima dos buracos e, em tom de brincadeira, deu seu parecer sobre o asfalto: ‘‘Tá bom desse jeito’’.
  A reportagem entrou em contato com a Viapar. De acordo com a sua assessoria de imprensa, a concessionária não comenta sobre trechos que não estejam sob sua área de concessão.

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