Down: congresso debate autonomia
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quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Marta Ortega<br>Equipe da Folha 
Londrina - Viviane Rodrigues Borges, 21 anos, e Gregório José Castro Vicentini, 26, namoram há quase um mês. Os encontros do casal dependem muito do tempo vago de cada um, já que os dois, que têm Síndrome de Down, participam de várias atividades durante o dia.
Gregório estuda, faz teatro e há quase cinco anos trabalha como garçom em uma lanchonete no período da noite. Viviane concluiu o terceiro ano colegial e está encaminhando currículo para duas empresas. Já trabalhou como estagiária durante um ano em uma universidade, onde foi encarregada da entrega de correspondências. Aprendi muita coisa. Foi muito importante para mim, conta ela.
As atividades não se limitam a estudos e trabalho. O casal ainda encontra tempo para praticar esportes e participar de atividades que ajudam na integração com outras pessoas. Duas vezes por semana, Viviane faz natação e um curso de dança, onde pratica o hip hop, uma de suas paixões. Dançar é o meu maior sonho.
Essa inclusão teve muito incentivo das famílias, que sempre fizeram questão que eles levassem uma vida normal. De acordo com a mãe de Gregório, Cynthia Vicentini, os preconceitos foram enfrentados desde que ele nasceu. Foram muitos olhares atravessados, perguntas indiscretas. Mas sempre fizemos questão de levá-lo a todos os lugares e desde pequeno ele foi incluído em tudo, afirma. Tentamos fazer dele uma pessoa independente, dar a maior autonomia possível. Se a gente faltar, ele saberá se cuidar.
Esse estímulo da família é a principal questão que será abordada durante o V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, que acontece de 24 a 27 deste mês no Centro de Exposições e Eventos de Londrina. O evento ,que tem como tema Síndrome de Down: Em Busca da Autonomia, é uma parceria da Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS Down), Associação Reviver Down de Curitiba, com apoio da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD).
Queremos ressaltar essa necessidade de autonomia para que todos eles tenham uma vida normal. Para isso, precisamos trabalhar com a família, a escola e com as pessoas que estão próximas a eles, afirma a presidente do congresso, Elena Mulas Veronesi, que também é presidente da APSDown.
O congresso, lançado ontem de manhã, tem a expectativa de atrair 1.500 participantes e vai contar com especialistas da área que vão participar de mesas redondas, conferências e palestras, abordando temas como relações familiares, aspectos pedagógicos, terapêuticos e clínicos, políticas públicas, artes e transição para a vida adulta e de qualidade de vida. Experiências, projetos e conquistas na área da Síndrome de Down realizadas no exterior também serão apresentados durante o evento.
Trabalho de referência
O congresso será realizado pela primeira vez fora de uma capital. Londrina foi escolhida porque a APSDown desenvolve um trabalho de referência no Brasil, na área de atendimento a portadores de Síndrome de Down. A instituição tem um trabalho de inclusão pedagógico diferenciado, com cerca de 70 alunos incluídos em escolas do ensino regular, públicas e particulares.
A entidade também presta assessoria para 66 escolas do município. Criada em 93, a instituição atende hoje 125 alunos, de zero a 64 anos.


