Doutores da Alegria Mirins visitam hospital de Curitiba
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quarta-feira, 31 de maio de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba Inspirado no trabalho desenvolvido pela Organização Não-Governamental (ONG) Doutores da Alegria, 45 estudantes de 14 a 17 anos de idade colocaram nariz de palhaço, peruca e maquiagem e foram visitar ontem os pacientes das áreas de pediatria e maternidade do Hospital do Trabalhador, em Curitiba. A idéia principal da ONG já é conhecida em lugares como Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, onde os grupos de ''palhaços'' atuam e levam alegria a pacientes. Mas é a primeira vez que um projeto semelhante conquista a participação de estudantes do Ensino Médio, os ''Doutores da Alegria Mirins''.
A idéia partiu de uma conversa informal entre a professora de Educação Física Izabella Milleo, do grupo de ensino Positivo, e o estudante de Agronomia Rodrigo Lass, que através do Instituto Maurino Veiga começou a participar do grupo de palhaços que visitava os pacientes do Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba. ''A escola já desenvolve projetos na área social, mas a maioria está ligada à arrecadação de produtos, que depois são somente entregues às instituições. Os alunos ficavam sem conhecer a realidade dos locais. Um hospital público, por exemplo, não é frequentado pela maioria dos alunos da escola, que é particular'', revela a professora.
Lass explica que no hospital Erasto Gaertner os ''palhaços'' visitam os pacientes toda última quarta-feira do mês. No grupo, tem ''desde empresários a estudantes'', conforme explicou Lass. A professora de Educação Física informou que a visita dos ''mirins'' também não deverá ser pontual e que o plano é visitar o hospital pelo menos uma vez a cada 15 dias.
Para que os alunos pudessem se preparar para a visita, Lass passou uma tarde com eles ensinando desde como se comportar dentro de um hospital até cuidados com a higiene, para evitar infecção hospitalar. ''Eu expliquei, por exemplo, que tipo de brincadeira poderia fazer e quais não poderiam'', conta ele. Uma das alunas que participou da visita, Isabela Pizzatto Teixeira, 15 anos, explica que, antes de receber a orientação, a preocupação era com a reação das crianças. ''Eu não quero que elas tenham medo, porque criança geralmente fica assustada'', disse ela. Lass informou que um dos assuntos tratados com os estudantes dizia respeito à ''abordagem a pacientes''.
''Os alunos estavam ansiosos e estou feliz porque percebo que eles estão desenvolvendo a idéia do voluntariado numa idade importante, antes de chegar no 3º ano, quando eles começam a ficar mais preocupados com o vestibular. E é obrigação da escola desenvolver projetos assim, porque ela não pode ficar alheia à realidade'', afirmou Izabella, enfatizando também o resultado da visita para os pacientes: ''Para quem está no hospital, o tempo não passa, principalmente para crianças. A visita traz novidade e melhora a auto-estima das crianças, que precisam sair dali sem traumas.''


