Doutor Randas desenvolve nova técnica
Da Sucursal
Arquivo FolhaVanguardaRandas Batista, cirurgião paranaense que alcançou prestígio e respeito internacionalmente com a cirurgia do naco: complexo de EisenmengerO Arquivo Brasileiro de Cardiologia publica, na edição de abril, o relato do caso de uma moça de 19 anos que dependia de um transplante duplo, de coração e pulmão, para sobreviver, mas recuperou a saúde graças a mais uma técnica desenvolvida pelo cirurgião Randas Batista - paranaense que se tornou famoso pela cirurgia do naco. A técnica, que vem sendo aplicada por Batista há três anos, serve para portadores do Complexo de Eisenmenger, doença que se desenvolve em uma a cada 10 mil crianças e até agora era considerada sem solução.
A doença consiste numa comunicação interventricular que aumenta a quantidade de sangue no pulmão. Se não houver tratamento precoce, com o fechamento do orifício do coração, o pulmão vai enrijecendo progressivamente, e a única esperança para o paciente passa a ser o transplante dos dois órgãos.
O problema, explica Batista, é que até hoje não existe no Brasil nenhum caso bem sucedido de transplante simultâneo de coração e pulmão. Foram feitos no máximo 10 desses transplantes, e nenhum paciente sobreviveu, afirma.
A técnica desenvolvida por ele é baseada numa interpretação do problema diferente da que era aceita até agora. Todo mundo pensa que a causa é o hiperfluxo de sangue para o pulmão, mas eu cheguei à conclusão de que a quantidade de oxigênio é mais importante para o enrijecimento, afirma.
O tratamento criado por Batista ocorre em duas etapas. Na primeira, para diminuir a pressão e a quantidade de oxigênio na artéria pulmonar, ele procede um estrangulamento da artéria. Fazemos um choque pulmonar, amarrando a artéria com uma espécie de cadarço, explica.
Num prazo que pode variar de dois a 10 anos ou mais - dependendo da gravidade do problema -, ocorre a reversão do processo. O paciente é submetido então a nova cirurgia, para o fechamento do orifício cardíaco e retirada do cadarço que amarra a artéria pulmonar.
Batista já aplicou a técnica em sete pessoas - crianças e adolescentes - no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul. Até agora, apenas a moça de 19 anos, cujo caso está sendo descrito pela primeira vez numa publicação médica, passou pela segunda cirurgia e, de acordo com o médico, leva vida normal. Os demais casos estão evoluindo muito bem, segundo Batista.
O cirurgião também já operou uma criança que sofria do Complexo e Eisenmenger no Children Hospital, de Boston (EUA), há oito meses. Ele afirma que considera a técnica curativa e 100 por cento aprovada.
Cardiologistas estrangeiros que vão a Campina Grande para conhecer a cirurgia do naco já começam a se interessar também pela nova técnica. É impressionante ver ao microscópio a mudança no tecido pulmonar, um ano após a cirurgia, diz Ernest Tradd, do Mount Sinai Medical Center, de Miami, que esteve esta semana no Angelina Caron conhecendo o trabalho de Randas Batista.





