'Dou um passo de cada vez e sei que vou chegar lá'
''Achava que era muito complicado fazer faculdade. Se soubesse que seria assim teria começado antes.'' A frase é de Cleber Pereira Carvalho, 32 anos, deficiente físico e aluno do 2º ano do curso de jornalismo da Unopar. Para ele, a dificuldade de encarar uma faculdade já começava no transporte. ''Eu teria que ir de ônibus da minha casa, na Zona Norte, até a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Isso me desanimava'', revela o cadeirante.
Conforme ele, a história mudou quando ele passou a fazer fisioterapia. ''Conheci deficientes até mais velhos do que eu que faziam faculdade. Isso me motivou'', conta. Hoje Cleber quer ser escritor, mas afirma que este é ''apenas um projeto embrionário''. Ele destaca que espera com ansiedade pelo dia em que vai pegar o diploma. ''Vai ser uma conquista para mim da mesma forma que é para os outros alunos da turma. Eu mesmo já duvidei que faria faculdade. Hoje, dou um passo de cada vez e sei que vou chegar lá'', garante.
Cleber deixa um recado aos deficientes que têm receio de fazer faculdade. ''Eles devem perder o medo. As leis ajudam, mas nós temos que dar o primeiro passo e a continuação do caminho depende de cada um'', finaliza.
Michael Braz Veigas, de 26 anos, está no último ano do curso de direito. Como os demais alunos, ele se esforça para acompanhar as aulas, estuda e está ansioso pela formatura. A ''diferença'', que para ele não é empecilho, é que o jovem é cego.
Apesar da deficiência, ele afirma que sempre foi independente e que o único problema encontrado durante o curso foi a falta de livros adequados para cegos. ''Tem pouco material em braile, mas a internet e as novas tecnologias ajudam muito'', afirma. Ele explica que um programa específico de computador foi importante durante sua graduação e que o site da Presidência da República traz todos os códigos de lei em áudio.
Veigas diz que pretende prestar concursos e também fazer o exame da Ordem dos Advogados do Brasil. ''Sempre quis fazer Direito, mas não tenho uma área pela qual sou apaixonado. Quero advogar, mas também vou prestar concursos'', afirma.
Ele conta que durante o curso teve muito apoio dos colegas de sala e que algumas pessoas disseram que acharam que ele não terminaria o curso. ''Se fosse assim eu não teria feito o ensino fundamental e médio. Direito é um curso difícil, tem que gostar, precisa estudar muito e eu me esforcei para isso'' diz. Apesar de saber que o mercado de trabalho será difícil ele se diz animado. ''Vamos ver como vai ser.'' (M.A)





