Dossiê levou denúncia para fora
DivulgaçãoJuiz João Adolfo Astolfi, um dos responsáveis pelas investigaçõesO suicídio em massa dos guaranis/kaiowás ganhou notoriedade mundial a partir de 1990 e desde então mobiliza organizações de vários países europeus e norte-americanos. Denúncias da existência de assassinatos mascarados como suicídios foram feitas isoladamente, inúmeras vezes, por jornalistas e autoridades de Dourados, desde o início desta década.
Mas as investigações sempre se perderam num labirinto e nunca foram levadas adiante. ‘‘Não sei se podemos falar em omissão deliberada, mas sempre houve um descaso das autoridades e da mídia no tratamento do assunto’’, denuncia João Adolfo Astolfi, juiz titular da 3ª Vara Criminal de Dourados, responsável pelas investigações na esfera da Justiça do Estado.
As denúncias só começaram a sair dos limites de Dourados em maio de 96. Naquele ano, a psicóloga e indigenista Roseli Aparecida de Arruda apresentou uma dissertação de mestrado na Faculdade de Antropologia da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, relacionando uma série de casos onde as evidências de homicídios são muito fortes. O documento, que ficou conhecido como ‘‘Dossiê Guarani’’, chegou a ser divulgada de forma tímida por alguns grandes jornais brasileiros.
Mas rapidamente a história caiu no esquecimento. ‘‘Recebi tantas pressões e ameaças de morte que fui obrigada a mudar de Dourados. Durante meses fiquei confinada em minha casa aqui em Campo Grande’’, lembra Roseli. Entre 96 e 98, ela viveu longos períodos sob proteção policial. Depois de tomar conhecimento do dossiê, o juiz João Astolfi reuniu uma farta documentação técnica e uma grande quantidade de depoimentos.
No início de 98, Astolfi enviou o dossiê e uma série de casos analisados por ele para a Funai, para o gabinete da Presidência da República e para a Comissão dos Direitos da Pessoa Humana da Justiça Federal, em Brasília. (P.S.M.)

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