Dossiê levanta suspeita sobre laudos de necropsia
Luciana Pombo
De Curitiba
Além de acusações sobre assédio sexual e falsificação de laudos de necropsia para o recebimento do Seguro por Danos Pessoais causados por Veículos Automotores (DPVAT), existe a suspeita de que o Instituto Médio Legal (IML) tenha comercializado cadáveres. As denúncias contra o instituto e seu diretor, Francisco Moraes e Silva, fazem parte de um dossiê entregue ao Ministério Público e protocolado no Palácio Iguaçu, Secretaria de Estado da Segurança Pública e Departamento da Polícia Civil.
Entre os casos suspeitos está o laudo de exame de necropsia do jardineiro Paulo Prussak, de 43 anos. De acordo com o laudo de número 1194/98, ele teria morrido vítima de um atropelamento na BR-116, no Pinheirinho, em Curitiba, no dia 9 de agosto de 98. A conclusão do exame de necropsia é de que a morte dele foi provocada por lesões encefálicas por ação contundente em acidentes de trânsito. No entanto, uma reportagem de televisão do programa do deputado estadual Ricardo Chab (PTB), na Rede Bandeirantes, mostrou depoimentos de familiares de Prussak que dizem que ele ainda esta vivo e que é um andarilho.
O caso ainda está sendo investigado pelo Ministério Público, mas existe a suspeita de comércio de cadáveres dentro do IML de Curitiba. Recebi diversas denúncias, mas ainda não tenho como comprovar, afirmou o deputado federal Florisvaldo Rosinha Fier (PT), que também recebeu uma cópia do dossiê. Ele tem também denúncias de que os funcionários do órgão eram obrigados a abrir contas bancárias e receberiam diárias frias que seriam revertidas a favor do diretor do instituto. Uma das funcionárias denunciantes é Rosângela Coltro, que recebeu um cheque de R$ 2 mil por prestação de serviços. Ela diz que, como não prestou qualquer serviço, resolveu devolver o dinheiro aos cofres públicos. A guia de recebimento do dinheiro e a cópia do cheque fazem parte dos documentos anexados ao dossiê.
Também estão sendo investigadas denúncias de irregularidades nos convênios com as funerárias. Quanto a suposta comercialização de cadáveres, Moraes e Silva disse que nunca houve qualquer tipo de venda de corpos dentro do IML. Estão tentando me badanizar, afirmou ele.
Quanto as diárias frias, ele afirmou que teve todas as contas aprovadas de 94 a 97 pelo Tribunal de Contas do Paraná. Não existem recursos para o IML que não sigam rigorosamente a lei, declarou. Sobre o caso de Rosângela Coltro, Moraes e Silva afirmou que a funcionária recebeu o dinheiro indevidamente e não quis devolvê-lo aos cofres públicos. Ela terá que provar que eu iria usar este dinheiro, afirmou ele.
O diretor desafiou ainda qualquer dos acusadores a encontrarem falhas no convênio com as 21 empresas funerárias que fazem o transporte dos corpos e garantem o emprego de 20 pessoas.





