Dossiê envolve policiais em sequestro
CASO EVERTON Dossiê envolve policiais em sequestro Documento, que ficou quase dez anos arquivado no quartel da PM, foi di vulgado ontem pelos pais de Everton, desaparecido em 88 Kraw PenasCOBRANDO PROVIDÊNCIASJosé Vicente Filho, pai de Everton, pretende entregar cópia do dossiê ao governador para pedir providências Emerson Cervi De Curitiba Os pais do menino Everton, desaparecido em 88, José Vicente Filho e Eliane Vicente, divulgaram ontem um dossiê sobre o sequestro do filho. Este relatório, que cita médicos, advogados, um promotor de justiça, um vereador e vários delegados como envolvidos no caso, foi preparado por um policial militar e ficou arquivado no quartel da PM de Curitiba por quase dez anos. José Vicente resolveu tornar as informações públicas agora porque ele não tinha segurança para fazer isso antes. Como há policiais envolvidos, se eu mostrasse o relatório para todo mundo achei que nunca mais encontraria meu filho, diz. No início da manhã de ontem ele falou sobre o dossiê durante o programa Comando Geral, da Rádio Independência, em Curitiba. Na semana em que os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico estiveram no Paraná, o Disk-denúncia da CPI recebeu a informação da existência desse relatório e do envolvimento de policiais no rapto de crianças no Paraná. Procurado pelos deputados, José Vicente confirmou a existência do dossiê e teve dos integrantes da CPI a garantia de que não haveria retaliações em caso de divulgação do material. Não sabia a quem recorrer, por isso tinha medo de divulgar os nomes, afirmou José Vicente. Agora ele vai tentar marcar uma audiência com o governador Jaime Lerner (PFL), para entregar cópia do dossiê e pedir que sejam tomadas providências. Segundo José Vicente, o PM que fazia a investigação paralela sobre o sequestro de Everton foi obrigado a abandonar os trabalhos depois que indicou o envolvimento de um capitão reformado da Polícia Militar no caso. Quando o policial me entregou o relatório com as informações que tinha conseguido até aquele momento, ele foi expulso da PM, contou. Segundo o dossiê, Everton teria sido sequestrado da frente da casa onde morava, no Centro Cívico, dia 23 de dezembro de 88, por Rosalva Maria Ferreira. Na época com 4 anos, Everton teria sido deitado no banco traseiro de um Opala que era dirigido por Felícia Fagundes, esposa do traficante de drogas, Ariel Pontes, que também estava no carro. Outro traficante que teria participado do sequestro, Adiel Cipriano da Silva, ficou sentado sobre o menino para ele não ser visto durante a fuga. Everton teria sido levado para uma chácara no município de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), onde Rosalva Ferreira o vendeu por Cz$ 100,00 (cem cruzados) a um homem identificada por Lavinha. Essa pessoa teria feito o transporte do menino até Foz do Iguaçu, entregando-o ao então vereador Werner Jacob. Depois disso, Everton teria sido levado para fora do País e não existem mais informações sobre seu paradeiro. O dossiê cita ainda a participação indireta no sequestro do clínico geral e vereador Alan Queiroz, de Almirante Tamandaré (RMC). Os delegados Kyioshi Hatanda (primeiro a presidir o inquérito do caso Everton), delegado Brito, titular da Delegacia de Almirante Tamandaré na época, e do delegado Orlando, lotado na 5ª Distrito Policial de Curitiba em 88, e o promotor de justiça Ulisses Guimarães Monteiro são considerados omissos nas investigações. O primeiro volume do inquérito não possui nenhum depoimento ou mandado de prisão. Só quando as investigações passaram para o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) assumiu as investgições, seis anos depois, é que foram solicitadas as primeiras prisões preventivas. O capitão reformado da PM, João Antonio Elísio, e sua esposa, Claudete Tomásio Elísio, entram no dossiê como agenciadores da venda da criança.





