Dossiê denuncia risco com veneno
Será entregue hoje, na Procuradoria Geral da República no Paraná, um dossiê com mais de 1.000 páginas alertando para o perigo dos agrotóxicos usados na região Sudoeste do Estado. Elaborado durante seis meses de pesquisa pela Associação das Câmaras Municipais do Sudoeste do Paraná - Microrregião 14, o documento traz provas concretas de que as indústrias fabricantes do produto não estariam respeitando a própria lei que regulamenta a fabricação e a comercialização de agrotóxicos no País.
Segundo o presidente da Associação, Fernando Viana, há hoje três grandes problemas envolvendo o uso dos agrotóxicos não só na microrregião de Pato Branco, onde foram feitos os estudos, mas em todo o Brasil. A propaganda enganosa, que diz que muitos deles são menos nocivos do que na realidade são, a não reavaliação dos produtos pelo Ministério da Agricultura dentro de prazos específicos e a omissão de informação nos rótulos e embalagens que não chegam a trazer todos os ingredientes nocivos da fórmula.
Viana aponta o número assustador dos casos de câncer entre agricultores. De 90 pessoas com a doença, que vivem em regiões agrícolas, pelo menos 85 trabalham diretamente com a agricultura e, consequentemente com os agrotóxicos.
Mas há ainda o caso de uma pesquisa feita em Curitiba com várias mães em fase de amamentação de seus bebês, lembra o presidente da Acamsor M14. Pelo menos 90 delas nunca tinham tido contato com o meio rural e tinham, em seu leite, a presença de agrotóxicos. O que nós queremos, com a entrega desse dossiê, é justamente chamar a atenção para isso tudo e fazer com que se cumpra a legislação.
Ao todo foram analisados, para o preparo do documento, quinze grandes marcas de agrotóxicos produzidos no país. Empresas que, se o dossiê realmente convencer, passarão a ficar na mira da Legislação Estadual e Federal de Agrotóxicos.
A microrregião 14, que abrange 15 municípios vizinhos a Pato Branco, é uma das maiores produtoras de grãos do Estado, entre os quais a soja, que utiliza um dos mais fortes agrotóxicos. Por isso, o dossiê também traz laudos médicos e técnicos feitos com os produtores agrícolas da região.Mauro FrassonGrupo entrega dossiê com 1.000 páginas ao Ministério Público FederalVivian de Albuquerque





