O Movimento Nacional dos Direitos Humanos no Paraná elaborou um dossiê no qual reúne dados referentes às MDIP (Mortes em Decorrência de Intervenções Policiais) no Estado, denominação cunhada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

De acordo com os dados estatísticos, os óbitos causados pela ação de forças de segurança, como Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e guardas municipais, somaram 176 entre 2017 e 2021.

O levantamento, feito pelo Ministério Público do Estado do Paraná, aponta o índice de 3,02 óbitos a cada 10 mil moradores, considerando a população estimada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para Londrina, de 580.870 habitantes.

O indicador, ressaltou Santana, está bem acima das demais cidades paranaenses de porte médio, como Maringá (0,66), Cascavel (0,71), Ponta Grossa (0,80), Foz do Iguaçu (1,7) e Curitiba(2,23). “O que está acontecendo em Londrina é resultado do mau uso da força policial”, disse o membro do Movimento Nacional dos Direitos Humanos no Paraná, Carlos Enrique Santana.

O índice só foi proporcionalmente maior em duas pequenas cidades da Região Metropolitana de Curitiba: Campo Magro (4,97) e Piraquara (4,19). E também no município de Ibiporã, na Região Metropolitana de Londrina, com 4,3 mortes para cada dez mil habitantes.

Somados os indicadores de Londrina, Ibiporã e Cambé, o número de mortes entre 2017 e 2021 chega a 228, elevando o índice para 3,06, bem acima do conjunto da Região Metropolitana da capital, formada por dez cidades, onde o indicador foi de 2,39 mortes para dez mil habitantes.

O alto índice de letalidade das forças de segurança em Londrina motivou a criação do movimento Justiça por Almas - Mães de Luto em Luta, formado por familiares das vítimas com o objetivo de denunciar as mortes.

Em Londrina, o governador Ratinho Junior afirmou que os confrontos são evitados pelos policiais, mas, quando ocorrem, tendem a apresentar resultados piores para os criminosos, já que os agentes são preparados para ações desse tipo. "Como o nosso policial é muito bem treinado, muito provavelmente quem vai levar azar vai ser o bandido.”

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AGRESSÕES A DETENTOS

A entidade afirma que detentos do sistema prisional em Londrina estariam sendo submetidos à situação de violência. As denúncias foram feitas na segunda-feira (17) por familiares de detentos da PEL 3 (Penitenciária Estadual de Londrina). A Sesp (Secretaria de Estado de Segurança Pública) nega as denúncias.

A entidade de defesa dos direitos humanos não relaciona a suposta violação dos direitos dos detentos aos atos de vandalismo que ocorreram no mesmo dia, quando ônibus do transporte público foram incendiados na cidade.

˜Queremos saber se houve violência policial na PEL 3 e que tipo de violência˜, disse Santana. “Faz uns quatro anos que não temos mais autorização para visitar os presos nos presídios.˜

Após a morte de um adolescente de 16 anos e de um jovem de 20 anos durante ação policial no jardim Santiago (zona oeste), no último final de semana, a comunidade realizou protestos. Na segunda-feira, o trecho urbano da BR-369 chegou a ser bloqueado pelos manifestantes. No início da noite, ônibus do transporte público foram incendiados e o serviço foi suspenso.

Santana disse que as queixas feitas pelos familiares dos detentos serão encaminhadas aos representantes do Legislativo municipal e estadual para que vereadores e deputados formalizem as denúncias.

˜É preciso esclarecer para que a gente tome as atitudes que precisam ser tomadas. A gente entrou em contato com o pessoal da PEL 3, conversou com algumas pessoas, mas não quiseram dar mais informações˜, ressaltou Santana. Segundo os denunciantes, policiais do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) estariam dentro da penitenciária, onde a segurança é de responsabilidade da Polícia Penal.

AÇÃO DE INSPEÇÃO

A Sesp nega qualquer ação contrária aos direitos humanos nas unidades penais em Londrina. Segundo a secretaria, o que houve na PEL 3 (Penitenciária Estadual de Londrina) na terça-feira (18) foi uma operação de rotina. Segundo nota encaminhada pela assessoria de comunicação do órgão estadual de segurança pública, foi realizada uma ação de inspeção pela polícia penal, denominada Operação Unidade Controlada. Na manhã de terça-feira, a mesma operação foi realizada em uma unidade prisional de Cascavel, (Oeste).

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