NEW LONDON - Enquanto moravam no Brasil, os paranaenses que vivem nos EUA eram do time que dava duro, mas ganhava pouco. Edson Vianei Campos, de 22 anos, tinha uma loja de roupas no centro de Reserva, na rua Marcílio Dias. ‘‘O negócio não dava certo, com aqueles altos e baixos da nossa economia. Decidi arriscar e estou melhorando’’, conta.
Valter Hornung plantava arroz num sítio, com os pais. ‘‘A gente levantava às 5 da manhã para trabalhar na terra, mal dava para comer’’, lembra. Ele fala ‘‘sem saudades’’ dos dias em que madrugava. E fala às 10 horas de uma manhã ensolarada de primavera, a hora do seu breakfast à americana: milkshake de chocolate e cereais com leite. Não pensem que ele está na malandragem: ele trabalha no turno da tarde e da noite.
Abimael Lima, outro reservense, andava rolando pelos grotões do Brasil, desesperado à procura de emprego. Foi para o Mato Grosso, tentou o garimpo na Amazônia, virou sorveteiro - sempre ganhando apenas o suficiente para comer. ‘‘Já consegui juntar US$ 40 mil, quero voltar e abrir meu próprio negócio’’. Para ajudar na futura empresa, no mês passado ele trouxe o irmão menor, Ariel, já empregado na ponte.
Muitos dos paranaenses que fazem a América sonham pequeno. Eles vêm buscar dinheiro para voltar e fazer a mesma coisa que faziam antes. É o caso de Luciano Boroseki, ex-caminhoneiro. ‘‘De empregado, em mês bom eu tirava 300 reais’’, conta. ‘‘Aqui, faturo 5 mil. Estou guardando esse dinheiro. Quero comprar um caminhão quando voltar’’.
Cada reservense que volta conta histórias fantásticas da América - e provoca sonhos ambiciosos em muitos outros. Mas um bom reservense nunca pensa em ficar nos EUA. Um dos que foi, venceu e voltou é Augusto Michetto, hoje dono de uma loja de produtos agropecuários, bem no centro da cidade, ao lado da agência do Banco do Brasil.
Todos os dias, Michetto atende no balcão de seu negócio. Com frequência, ele conversa com os fregueses. Quando alguém pede algum conselho sobre sua experiência na América, costuma dizer que ‘‘lá é bom para ganhar dinheiro, aqui é bom para viver’’. Ele sempre reforça: o ‘‘lᒒ é nos EUA, o ‘‘aqui’’ é em Reserva, no Paraná, na pátria amada e idolatrada, o Brasil.

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