Dos alunos da USP, 38% já usaram droga ilícita
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sábado, 14 de junho de 2003
Das agências 
São Paulo - Entre 38% e 40% dos alunos da Universidade de São Paulo (USP) o equivalente a quase 15 mil jovens já experimentaram algum tipo de droga ilícita. Mas cerca de 70% deles tiveram seu primeiro contato com um cigarro de maconha ou com um comprimido de ecstasy antes de ingressar no ensino superior. O álcool é, disparado, a droga mais consumida pelos universitários.
Essas são algumas das informações de uma pesquisa sobre uso de drogas, lícitas e ilícitas, entre os estudantes da mais conceituada universidade do País.
Entre as drogas proibidas, a maconha lidera a preferência dos alunos. Nada menos que 35,3% dos entrevistados disseram que já a experimentaram. Quando perguntados se haviam fumado um cigarro de maconha nos últimos 30 dias considerado uso frequente 16,91% disseram sim. No mesmo período, 70,04% dos entrevistados consumiram álcool e 20,16%, tabaco.
A pesquisa, do psicólogo Vladimir de Andrade Stempliuk, doutorando em Ciências pelo Departamento de Fisiopatologia Experimental da Faculdade de Medicina da USP, ouviu 2.837 alunos da graduação em 2001. Em comparação com dados de 1996, houve um aumento no consumo, principalmente de maconha, inalantes (como lança-perfume e éter) e anfetaminas (como o ecstasy). Estas também são, segundo a pesquisa, as substâncias ilícitas mais aceitas pelos universitários ao contrário de drogas mais pesadas como cocaína e crack.
A pesquisa, que entrevistou proporcionalmente estudantes das três áreas de estudo, concluiu que a maior prevalência de uso de drogas está entre os alunos de humanas. Os alunos das biológicas são os que mais bebem e usam inalantes para um estudante de medicina ou de de biologia, fica mais fácil carregar para uma festa um chumaço embebido em éter. Já os alunos da área de exatas apresentaram menor uso em todas as drogas.
O estudo permitirá aprimorar políticas de prevenção que já vêm sendo realizadas timidamente no campus. Uma grande preocupação é com o consumo abusivo de álcool, que pode gerar acidentes graves, especialmente no trânsito. ''Trabalhamos com o conceito de redução de riscos, não de abstinência total'', diz André Malbergier, do Grupo de Estudos de Álcool e Drogas (Grea) do Hospital das Clínicas e responsável pelo programa de prevenção na USP.
Um programa de redução dos riscos do álcool vem sendo realizado pelas várias universidades federais paulistas. O projeto deve durar três anos e pode ser estendido a escolas do segundo grau, época em que os adolescentes começam a beber.
Apesar de o primeiro contato se dar ainda na escola, o psicólogo Stempliuk diz que na faixa-etária dos universitários há uma tendência de aumento no consumo de drogas. ''Os estudantes encontram uma cultura diferente da do 2º grau, passam a ter mais liberdade, mais dinheiro e ficam mais afastados da família'', diz o pesquisador.
''Comecei uns quatro anos antes de entrar na USP'', diz um aluno do curso de Letras, que pediu para não ser identificado. Ele afirma que nunca pensou em deixar a droga. ''Fumo aqui porque é cômodo, só tem de ter discrição e bom senso, não vou ficar fumando nos corredores do prédio.''


