Dormir pouco afeta o coração
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terça-feira, 04 de março de 2014
Reportagem Local 
São Paulo - Com o excesso de atividades do dia a dia, os momentos de descanso têm sido cada vez mais raros para muitas pessoas. Consequentemente, as horas de sono também têm sido reduzidas. Porém, dormir pouco não afeta apenas o equilíbrio emocional ou a capacidade de raciocínio do indivíduo. Esse hábito também pode causar, entre outros males, sérios danos à saúde do coração.
"Para que uma pessoa viva de maneira saudável é preciso que ela tenha, no mínimo, de seis a oito horas de sono por dia. Dormir menos que isso pode ocasionar prejuízo cardiovascular com o passar do tempo. Isso favorece o surgimento de doenças, como a hipertensão, diabetes e obesidade, o que aumenta o risco de infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs)", afirma a pneumologista Thaís Bittencourt do Serviço de Medicina do Sono do Hospital do Coração (Hcor), de São Paulo.
O sono é um período importante para o reestabelecimento do nosso organismo. Dormir bem ajuda, por exemplo, na produção de anticorpos contra as mais diversas doenças, fortalecendo o nosso sistema imunológico. Por isso, reduzir o tempo em que dormimos afeta significativamente os processos fisiológicos que ocorrem durante o sono.
"Quando dormimos há um momento de repouso do nosso sistema cardiovascular, no qual tanto a frequência cardíaca quanto a pressão arterial são reduzidas. Esse processo é muito importante para a saúde do coração. Por essa razão é que diversos estudos mostraram que a privação do sono aumenta o risco de hipertensão arterial", comenta Thaís. "Outra situação que precisa ser reparada enquanto dormimos está relacionada à regulação do apetite. A redução no tempo de sono, devido a fatores hormonais e gasto energético menor, também favorece o ganho de peso", acrescenta a pneumologista.
Quantidade e qualidade
Dormir em quantidade adequada pode não ser suficiente para começarmos o dia alertas e descansados. A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio comum e fortemente associado ao ronco. A associação entre apneia e privação do sono é frequente e perigosa, uma vez que ambas as situações estão associadas a maiores riscos cardiovasculares.
"Por isso, pessoas que tem ou já tiveram algum tipo de distúrbio cardiovascular, como hipertensão, infarto ou AVC, precisam redobrar a atenção com doenças relacionadas ao sono, como essa, e procurar tratamento o quanto antes", afirma a médica. "Vale lembrar que o sono em quantidade suficiente e de boa qualidade é imprescindível para que todos tenhamos um dia repleto de saúde, maior capacidade de concentração e, inclusive, menor risco de acidentes no trânsito", acrescenta a pneumologista.
É possível repor as horas de sono perdidas. Uma dica é estabelecer uma meta, procurando aumentar gradualmente o tempo de sono de 15 a 30 minutos por noite, a cada semana, por exemplo. Assim é possível combater o problema e, aos poucos, recuperar a saúde e a disposição. "Recuperar o tempo de sono perdido é fundamental, já que se perdermos apenas duas horas de sono por dia, durante um período prolongado de tempo, podemos desenvolver problemas crônicos de saúde e, dependendo do caso, por em risco o coração", alerta Thaís.


