Durante a inspeção, as presas reclamaram muito da falta de condições do distrito. Lucinete dos Reis, 22 anos, está presa há três meses acusada de assalto à mão armada. ‘‘Estamos aqui em condições horríveis. Dormimos com baratas e ratos, a comida vem estragada, não temos atendimento médico.’’
Segundo Lucinete, a presa da cela ao lado da sua, Terezinha, tem problemas mentais. ‘‘Ela fica sozinha porque é perturbada e agride as outras mulheres. Mas ela não tem atendimento nenhum, não come nada e está definhando’’, disse.
Simari Alves da Costa, 26 anos, e Luciana Ribeiro Leal, 27 anos reclamam da falta de condições para seus bebês de quatro e seis meses, respectivamente. ‘‘Aqui não tem a menor condição para crianças. Não tem nem como eles tomarem sol’’. Elas aguardam para serem transferidas para Curitiba no presídio de mulheres.
Uma das presas chorou muito e disse ser menor de idade. ‘‘Eu vou fazer 17 anos no dia cinco de março. Me ajuda pelo amor de Deus, eu quero minha mãe’’, disse Adriana Rodrigues da Silva ao oficial José Abrahão, que anotou a informação em seu relatório. Ela afirma ser de Maringá e disse que foi presa no dia 26 de dezembro de 2001, quando dormia num ‘‘mocó’’ com outros dez adolescentes. ‘‘Todos já sairam. Só eu continuo aqui’’.
O delegado Roberto Hummig disse que a garota foi presa em flagrante (ela nega a acusação de uso de drogas) e que o processo já foi para o Fórum. ‘‘Se ela ainda não foi solta ou é porque não tem documentos, ou porque não é menor’’. Adriana afirmou que seus documentos estão Cuiabá (MT), onde morava antes de ir para Maringá (PR) com seus pais.
O juiz Roberto do Valle afirmou que, na sexta-feira retrasada, quando esteve no 2ºDP conversou com todas as presas e nenhuma afirmou ser menor de idade.

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