Dores nas costas
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Walkiria Vieira<br>Grupo Folha 
O comerciante Carlos Alberto Bertini, de 51 anos, se assustou ao ouvir que não poderia mais correr por causa das dores nas costas. O ortopedista o orientou a procurar o pilates como alternativa para o tratamento. "Voltei a ter vida normal. Consegui corrigir a postura, fortaleci a musculatura e tudo isso sem ir a uma academia. Hoje consigo tocar as mãos nos pés com as pernas esticadas graças ao alongamento que faço nos aparelhos do pilates, sempre supervisionado", comemora.
Só no Brasil, a dor nas costas atinge cerca de 40% da população, segundo dados da Escola Nacional de Saúde Pública. Com mais de 30 anos de experiência, o ortopedista Aricio Tavares, do Instituto de Videoartroscopia, Ortopedista e Traumatologia confirma a grande queixa de pacientes com problemas de lombalgia. "É a segunda doença mais comum e só perde para resfriados. Cerca de 70% das pessoas, uma vez na vida, vão ter um episódio de dor lombar, sendo que 80% na casa dos 50 ou 60 anos", explica.
Entretanto, o especialista em ortopedia e tratamento clínico de coluna alerta que nem toda dor nas costas está relacionada à coluna. "Pode ser de ordem renal ou até uma infecção e a automedicação é sempre contraindicada. O uso de anti-inflamatório, por exemplo, só deve ser feito com muita cautela, com orientação e por um prazo pequeno de tempo" enfatiza. "Lembrando que quando há histórico familiar, o diagnóstico precoce ajuda muito e quanto antes o tratamento é inciado, melhor", acrescenta.
A procura por remédios para aliviar a dor é constante na farmácia da comerciante Regina de Souza. O estabelecimento comercial fica no Jardim Vera Liz, zona oeste de Londrina. "A queixa é muito comum e as pessoas chegam em busca de paliativos, principalmente, as que trabalham muitas horas por dia em pé", relata. "Querem analgésico de alívio imediato, mas a maioria não procura tratamento médico e, por isso, na farmácia não pode faltar remédio para dor muscular", acrescenta.
DESATENÇÃO
A vendedora Neiva Leonardo, de 42 anos, admite que realiza tarefas diárias sem dar a atenção adequada para manter a postura correta. "Sempre sofri com dor nas costas porque tenho seios muito grandes. Além disso, não fico cuidando da postura para sentar e nem na hora de dar mamadeira para o meu filho. Acredito que o problema começa ainda na fase escolar porque as crianças carregam muito peso na mochila e isso vai acumulando com o tempo", comenta. "Olha o jeito que eu estou sentada. Tudo errado", se entrega. Outro descuidado com a postura foi flagrado pela reportagem. O empacotador Guilherme Ananias, de 15 anos, estava sentado transparecendo o cansaço. "Trabalho em pé e, para mim, é automático sentar assim meio largado." Enquanto usa o smartphone, Ananias mantém a mochila nas costas e se inclina sem apoio. "Ouço a minha irmã falando de dor nas costas e a minha avó também, mas eu nunca tive".



