Grande parte da população brasileira é fascinada por carros, isso ninguém discute. Eles são parte dos sonhos de pessoas que economizam para conseguir ter um novinho em folha. Mas muitos se realizam mesmo com os modelos antigos. São caminhonetes, calhambeques, modelos rabos de peixe, Mavericks. Todos tratados com muito carinho e cuidado por seus donos, que gastam fortunas com restaurações, reformas e manutenção.
O médico londrinense Celso Fernandes Júnior tem com seu Ford Roadster uma verdadeira história de vida. ''Esse carro foi comprado pelo meu avô em 1929, depois passou para meu pai e hoje está comigo. Com o tempo vou entregá-lo para meu filho. Espero que ele fique na família por pelo menos cem anos'', afirmou.
O modelo de quatro cilindros e motor original passou por uma restauração em 1963 e tem todas as peças originais. ''Gosto dos carros antigos porque eles são nostálgicos. Acho bacana saber que Henry Ford desenhou essas linhas e que meu pai e meu avô já dirigiram o carro. As pessoas, principalmente as crianças, ficam fascinadas quando vêem'', disse o médico, que garante usar o carro no dia-a-dia. ''Tenho um carro novo, mas às vezes uso o 'Fordinho' para ir trabalhar. São prazeres diferentes dirigir o novo e o velho.''
Já o comerciante Luiz Carlos Corsini, de Ibiporã, possui seu Aero Willis, ano 1965, há apenas sete anos. ''Sempre gostei de carros antigos, mas não tinha dinheiro para comprar. Esse modelo eu escolhi porque era o carrão da época em que eu era jovem'', comentou.
E tanto carinho se traduz no zelo que ele tem pelo carrão inteiro original. ''Comprei dois carros para fazer esse aqui. Não uso ele no dia-a-dia porque tenho medo de bater ou de alguém amassar. Minha esposa e meu filho dirigem, mas só se eu estiver do lado.'' (H.F.)

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