Donos não prestam queixa à polícia
O adolescente R. afirma que apenas uma vez pediu ajuda à polícia para recuperar a égua Boneca. A declaração denota um fato: muitos donos de cavalos não prestam queixa quando têm seus animais furtados, o que torna ainda mais difícil ter uma idéia da quantidade exata de crimes do tipo.
''A polícia não acha. Tem que ser na sorte'', diz a dona de casa Fabiana da Silva, moradora do Jardim Santiago (Zona Oeste). A família dela já teve três cavalos furtados apenas um foi recuperado, e sem a ajuda da polícia. ''Detectar cavalos furtados é difícil, porque não é que nem carro, que tem cor registrada no documento, placa. Geralmente, só o dono conhece bem o animal a ponto de identificá-lo facilmente. Mas as queixas que chegam até nós são investigadas'', comenta o delegado-adjunto Jorge Barbosa.
O delegado do 6º Distrito Policial, Algacir Ramos, aponta que cavalos furtados são na maioria dos casos levados para frigoríficos clandestinos da região, que exportam carne equina para alguns países asiáticos e europeus. Os equinos que foram recuperados na semana passada seriam vendidos por R$ 50 cada. ''Raramente os ladrões ficam com os animais ou os revendem para sítios da região de Londrina, porque mais cedo ou mais tarde os donos acabam sabendo'', diz Ramos.
Desde o início do ano até o final do mês passado, a empresa contratada pela Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) apreendeu 88 cavalos soltos na área urbana. Segundo Anne Christina Hiltel, assessora da Sema, a prefeitura recebe diariamente várias ligações de trabalhadores informais perguntando se seus cavalos estão no galpão onde são mantidos os animais apreendidos, o que indica que o número de furtos e desaparecimentos é grande. ''O problema é que eles não mantêm seus cavalos em locais seguros.'' (F.G.)





