Donos de moto-táxi criam associação
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de junho de 1997
Osmani Costa 
Londrina
Dezenas de proprietários de empresas de motos-táxi que atuam na Cidade criaram, no domingo, uma associação para representar seus interesses, entre os quais o principal é um projeto de lei que regulamente o serviço através da Câmara Municipal. A associação é presidida por Lusia Silvério Tereza, proprietária da Zona Norte Moto Táxi. O vice-presidente é o dono da da empresa Revolução, Maurídio Rodrigues dos Santos.
Já com diretoria e estatutos aprovados, a associação - que diz representar cerca de 70 empresas - realizou na noite de ontem sua primeira reunião ordinária. Nela, seriam definidas as formas de organização e encaminhamento das reivindicações da categoria. Os empresários do setor, que afirmam empregar cerca de 500 moto-taxistas, estão com dificuldades jurídicas para legalizar o negócio em Londrina.
Além da negativa da Câmara em discutir e votar o projeto de lei - de autoria de Célio Guergoletto (PMDB) e Sidney de Souza (PST) - que objetiva regulamentar o serviço, o juiz da 10ª Vara Cível, Mario Nini Azzolini, cassou na última quinta-feira a liminar que garantia o funcionamento em caráter precário da empresa Central Moto Táxi. A empresa, propriedade de Luiz Antônio Campinha, entra hoje com recurso junto ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná.
O juiz cassou a liminar porque o serviço não está regulamentado em Londrina e por considerar que esse tipo de transporte oferece risco à segurança e saúde dos passageiros. Luiz Antônio Campinha adianta que, no recurso ao TJ, argumentará que a Constituição brasileira garante igualdade entre as pessoas e o direito ao trabalho para todos. Além disso, o Código Nacional de Trânsito legaliza a motocicleta como veículo de aluguel para o transporte de passageiro, garante o dono da Central.
A associação estará baseando seus argumentos - para negociação junto aos vereadores durante o recesso paralmentar de julho - em oito leis municipais que regulamentaram o serviço em diferentes estados brasileiros, entre as quais as paranaenses Apucarana e Umuarama. Voltaremos a manter contatos com os vereadores a partir desta semana, para tentar convencê-los da importância do serviço para a população e da regulamentação dele para as empresas, comenta João Edson Freitas, proprietário da empresa Solução, que tem aproximadamente 50 motos-táxis.
Na opinião dele, a resistência dos taxistas e de algumas autoridades em relação às moto-táxis é completamente equivocada. Alegam que é inseguro, mas isso não é verdade se a moto está em boas condições de uso e é pilotada por pessoa treinada. O grande problema é que os motoristas de automóveis não respeitam e atrapalham os motociclistas, explica João Freitas. O Governo deveria incentivar a utilização das motos-táxis, por serem veículos que usam menos combustível e são portanto mais econômicos, que poluem menos o ar, e andam com mais rapidez, diminuindo os congestionamentos nas médias e grandes cidades.


