Donos de chácaras inundadas querem indenização da Cesp
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de janeiro de 1997
Da Redação 
Dorico da SilvaVazãoAs comportas da usina Capivara: proprietários querem indenização da Cesp pelos prejuízos da inundação
Proprietários de chácaras à margem do rio Tibagi querem entrar na Justiça contra a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) pedindo indenização dos prejuízos causados pelas enchentes do rio. O empresário Ernesto Pívaro Neto disse que oito proprietários vizinhos estão se mobilizando para mover a ação. Eles acreditam que a Cesp demorou para abrir as comportas da usina Capivara, em Porecatu, o que acabou agravando os danos com a enchente.
Segundo Pívaro Neto, esses proprietários perderam uma caminhonete D-20, um Tempra, dois Corsa, uma Parati, uma Veraneio, um Fusca, um Apolo e uma motoneta, sem contar vários animais e piscinas, cercas e pomares. O rio subiu 1,5 metro da meia-noite às 3 horas de quinta-feira; e das 3 horas às 6 horas baixou um metro, mesmo com chuva caindo na cabeceira do rio, diz Pívaro.
O empresário questiona se as comportas não poderiam ter sido abertas antes. Para mim, a Cesp só abriu as comportas quando viu que a ponte seria danificada. Pívaro conta que nunca aconteceu isso em toda a história do Tibagi.
Engenheiro da
Cesp diz que
usina agiu como
amortecedora
O engenheiro da Cesp Carlos Adão Biela, gerente regional de operação do Paranapanema, afirma que esse assunto envolve sentimentalismo, já que as pessoas sofrem prejuízos com as enchentes. A usina de Capivari é mais benéfica que maléfica para a região. Essas chuvas torrenciais deixaram cidades debaixo dágua. A usina agiu como amortecedora. Sem ela, as enchentes seriam mais rápidas e avassaladoras, afirma.
Segundo Biela, rios do Sul de São Paulo e Norte do Paraná subiram 11 metros sem estarem comprometidos com barragens. A Cesp não demorou para abrir as comportas. A Companhia tem um compromisso com a atenuação dos picos das cheias. A Cesp tem esquema para enfrentar situações de cheia. Fazemos planejamento energético, em épocas favoráveis, e seguimos à risca esses processos para minimizar o impacto das cheias e sair da situação o mais rápido possível.
Mesmo com esse esquema seguro, há intempéries da natureza que não deixam alternativas, de acordo com o engenheiro. Ele fala que, no Sul de São Paulo, foram provocadas muitas mortes nos alagamentos. Nas regiões de influências dos nossos lagos, não há casos tão graves. Há populações ribeirinhas que ficaram ilhadas e desabrigadas, mas não na proporção do Vale do Ribeira do Iguape.
(Carina Paccola)


