Donos de chácara negam irregularidade
Os proprietários da chácara que utiliza área pública no lago Igapó 2 para captação de água defenderam a localização do equipamento porque ''antigamente'' o terreno era particular. ''Nós doamos essa parte do nosso lote para a prefeitura durante a época do (ex-prefeito José) Richa - na década de 70. São mais de 4 mil m2 que demos de graça para a construção da Rua Bento Munhoz'', afirmou o agricultor Gilberto Uwasa, de 50 anos.
Segundo ele, a prefeitura autorizou a captação de água e permitiu que a tubulação fosse instalada sob a via. O agricultor disse também que o poço tem capacidade para bombear 18 mil litros de água por hora. ''Agora trocou o equipamento e diminuiu um pouco, mas é nessa base aí.''
O agricultor aceitou conversar com a reportagem e abriu o cadeado da casa de cimento que abriga o poço de captação, a menos de 10 metros do lago. ''Acho completamente errado querer tirar isso da gente. A prefeitura tem que pagar outro poço para nós então'', lamentou. Sobre a possibilidade de contaminação das verduras com água do lago Igapó, o agricultor ressaltou que o poço capta água do lençol freático. ''A água não é do lago. Se fosse, a gente não usaria'', afirmou.
Curiosamente, o terreno em que a família de agricultores mantém uma horta comercializada nas feiras de Londrina fica exatamente no traçado da futura Avenida Ayrton Senna - que fará a ligação entre a Rua Bento Munhoz e a Avenida Madre Leonia Milito. Quando for concluída, a Ayrton Senna vai servir como continuação da Avenida Maringá sentido Shopping Catuaí.
''Uma coisa não tem nada a ver com outra'', disse Roberto Goto, outro membro da família que falou à Folha. ''Esse terreno eu já negociei com a prefeitura e só não saiu ainda porque a população não quer que doem a praça'', disse - em referência ao terreno que a prefeitura pretendia utilizar para pagar a desapropriação - localizado no Jardim Cláudia. Como está prevista a construção de uma praça neste terreno, a ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE) e a Associação de Moradores do bairro conseguiram barrar a doação na Justiça.
''Se tiver bom preço, para mim pode ser outro terreno, mas o prefeito disse que só tem esse do jardim Cláudia'', afirmou.(F.C.)





