Uma comissão de proprietários de casas construídas com ardósia esteve ontem de manhã na Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina, reivindicando a prorrogação do prazo, esgotado no mês passado, para a reconstrução dos imóveis. Descontentes com o tipo de construção, cerca de 60% dos proprietários das casas de ardósia, num total de 164 moradores dos conjuntos habitacionais Benzoni Vicentini, José Bonifácio e Silva e Parigot de Souza 3 (zona norte) assinaram acordo com a Cohab em 94. Eles acertaram fazer a reconstrução das casas em alvenaria no prazo de cinco anos.
Construídas com material considerado inadequado para as condições climáticas da cidade, as casas em ardósia não têm isolamento térmico, causando o aquecimento do ambiente nos dias quentes e resfriamento com temperatura baixa.
Em contrapartida, durante o prazo do acordo, as famílias passaram a pagar apenas a porcentagem relativa ao valor do terreno e o refinanciamento das prestações atrasadas. ‘‘O desemprego e problemas pessoais acabaram impedindo que muitos proprietários cumprissem o acordo. Queremos fazer a reforma de nossas casas, mas vamos precisar de mais tempo que o previsto inicialmente’’, disse o membro da comissão de proprietários, Israel Pereira dos Santos, 34 anos, que é agente penitenciário.
Os moradores ficaram preocupados porque uma equipe técnica da companhia esteve nos bairros vistoriando o estágio das obras e fotografando as casas.
Membro da comissão que esteve ontem na Cohab, Santos acredita que cerca de 30% dos proprietários que assinaram o acordo não conseguiram concluir a obra. A maioria, diz, começou a reforma. Ele mora no conjunto Benzoni Vicentini há 7 anos e, com o acordo, passou a pagar uma prestação de R$ 18,00. Com o fim do acordo ele acredita que a prestação deverá passar a R$ 160,00.
A dona de casa Lúcia de Souza Godoi, 45 anos, conta que o marido e o filho mais velho ficaram desempregados durante mais de um ano. ‘‘Nós já construímos dois cômodos no fundo, onde estamos morando, para poder começar a derrubar e reconstruir a casa. Mas meu menino ficou quase dois anos sem emprego e as coisas complicaram’’, justifica. Luiza Godoi tem três filhos, a menor com 3 anos.
O presidente da Cohab de Londrina, Assad Jannani, que a Companhia está disposta a prorrogar o prazo para as famílias que não conseguiram cumprir o prazo. Os interessados deverão encaminhar uma justificativa, explicando o motivo do atraso à Cohab e propondo novo prazo para conclusão da obra.

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