Agentes do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco), vinculado à Promotoria de Investigações Criminais (PIC), prenderam ontem de madrugada os empresários Claudemir Medeiros, 39 anos, e José Carlos Medeiros, 38, proprietários da Casa de Shows Shirogohan, de Londrina. A gerente Marli Kudo, 40, também foi presa. Os três foram autuados no artigo 229 do Código Penal, que criminaliza a manutenção de casas de prostituição. Três pistolas 380, todas carregadas, e uma escopeta de calibre 12 também foram apreendidas.
Os empresários responderão ainda por posse ilegal de arma, já que o equipamento não estava legalizado. Dois seguranças assumiram a propriedade de duas pistolas, mas foram liberados após pagar fiança. A PIC também detectou indícios de sonegação fiscal e já comunicou o fato à Receita Estadual. Cerca de R$ 10,7 mil foram recolhidos do caixa da boate.
De acordo com o delegado Alan Flore, a operação tinha o propósito de verificar no estabelecimento a existência de um possível esquema de exploração sexual de menores, prática condenada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A denúncia partiu da Promotoria da Infância e Juventude. ''Tínhamos informações de que adolescentes estariam se prostituindo no local, mas não encontramos nada que pudesse comprovar isso. Entretanto, pelo material que foi levantado, ficou caracterizada a prática de prostituição'', afirmou. O delegado acrescentou que conversou com clientes e funcionários que admitiram que a boate funciona como centro de prostituição.
Durante a operação, que contou com o apoio do Serviço de Inteligência (P2) da Polícia Militar, o advogado Antonio Carlos Andrade Viana se desentendeu com policiais do Gerco e também foi detido. Ele entrou na viatura e foi direto para a sede da PIC. Na confusão, o advogado disse que os policiais deveriam ter ''vergonha na cara''. ''Eu disse mesmo porque é uma arbitrariedade o jeito que eles algemaram meus clientes. Eles não tinham ordem judicial para entrar no estabelecimento e ainda por cima usaram uma aparato desproporcional gastando a toa o dinheiro do contribuinte'', acusou. Viana passou a madrugada na PIC. Ele assinou um termo circunstanciado por desacato e responderá pelo crime no Juizado Especial.
No tumulto, um cliente agrediu verbalmente o delegado Alan Flore e também foi preso, por desacato. ''Não sei se ele estava alterado por causa da bebida. Tentamos fazer tudo dentro da normalidade''. Ontem, no início da noite, os suspeitos foram liberados pela Justiça.
A casa de shows não foi interditada e nem terá seu alvará de funcionamento cassado. De acordo com a PIC, somente quem emitiu o documento tem o direito de retirá-lo. O promotor Leonir Batisti alertou, no entanto, que os empresários poderão ser incriminados outra vez em caso de reincidência. ''A casa continurá funcionando, mas eles poderão ser enquadrados novamente se a prática de prostituição persistir'', avisou.

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