Paulo WolfgangMota recebeu R$ 100,00 para fazer dois fretes até fazenda: ‘‘Falaram que peões iam roçar o pasto’’Na terça-feira da semana passada, quando perseguiu dois veículos na estrada de acesso ao Distrito de Maravilha, Osvaldo Franco, funcionário da Fazenda Monte Carmelo, conseguiu anotar as duas placas: a de uma caminhonete F 100, AAE 5319, e a de uma caminhonete D 20, AET 6020.
A reportagem da Folha chegou aos proprietários dos veículos, através de levantamento feito na Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran). A F 100 pertence ao mecânico Florentino de Almeida Mota, residente na Rua Sílvio Lourenço Leite, no Conjunto Cafezal (zona sul da cidade). Ele recebeu a reportagem na tarde de quinta-feira e negou qualquer envolvimento no caso.
Mota relatou que fez dois fretes para a região onde está localizada a mata da Fazenda Remansinho, mas a pessoa que o contratou informou que os peões iriam roçar o pasto da propriedade. O último frete feito foi na terça-feira da semana passada. ‘‘Eu pequei uns 10 homens na Ponte Seca (perto do Posto Formigão, na saída para Curitiba) e levei até um trevo, numa estrada rural. Não sei dizer que fazenda é aquela.
De acordo com a descrição do local feita pelo mecânico, trata-se exatamente da mata da Remansinho. Ele afirmou que não conhece a pessoa que contratou o frete. ‘‘É um homem moreno, com 1,75 mais ou menos. Ele tem um carro importado vermelho. Embora seja mecânico, Florentino garantiu que não sabe qual é a marca do veículo.
O tal homem teria pago R$ 100,00, em dinheiro, pelos dois fretes feitos por Florentino. Segundo ele, para percorrer a mesma distância na zona urbana, o valor seria de R$ 20,00. Florentino informou que apenas levava os homens até o local e não sabe como eles retornavam.
O mecânico disse fazer fretes apenas nos horários de folga - para o dono do carro vermelho ele saia às 5h30 da manhã. Ele confirmou o encontro, na estrada, com a caminhonete de Osvaldo Franco. Negou, no entanto, que tenha sido perseguido. ‘‘A caminhonete vinha atrás de mim com luz alta. Eu estava andando normal. Não dá pra correr em estrada de terra. A uma certa altura diminui pra deixar a caminhonete passar, porque a luz estava me atrapalhando. Se notasse que estava sendo seguido teria parado, porque não tenho nada a temer.
Osvaldo Franco contou outra história. Segundo ele, a perseguição ocorreu até o final da estrada de Maravilha. De lá, a caminhonete seguiu em direção ao distrito de Paiquerê.
O veículo D 20 pertence à empresa Monteiro Rocha Locadora de Veículos e Serviços S/C Ltda, de propriedade de Manoel Monteiro. Segundo ele, na terça-feira da semana passada, seu veículo estava locado para uma pessoa de nome Antonio Rodrigues, que estaria usando a caminhonete para transporte de porcos.
Informado sobre a reportagem por Monteiro, Antonio Rodrigues não quis dar entrevista mas pediu para que seu advogado, Osvaldo Sestário Filho, entrasse em contato com a reportagem. Segundo o advogado, Rodrigues é comerciante, e realmente estava com a caminhonete na manhã do dia 20. Ele teria passado pela estrada da Maravilha no horário comentado pelo funcionário da Fazenda Monte Carmelo. ‘‘Mas ele afirmou que não foi perseguido por ninguém e que nada tem a ver com essa questão de palmito’’, afirmou o advogado. (B.B.)

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