Donos de boxes contabilizam prejuízos
O desespero tomou conta dos proprietários de boxes do Shopping Popular depois da saída dos policiais federais e da liberação do prédio, que aconteceu por volta das 16h30. Os caminhões usados para transportar as mercadorias apreendidas foram escoltados para o depósito da Receita Federal. Os agentes seguiram em ônibus. Com a liberação do prédio, seguranças do próprio camelódromo passaram a controlar o acesso dos donos de boxes e da imprensa.
Muitos camelôs choravam e criticavam a ação. Ele também se dividiram para falar com a imprensa. Enquanto uns faziam questão de mostrar o estado das lojas, outros não queriam que a situação fosse registrada.
O clima era de desolação. Poucos boxes ficaram intactos. As vendedoras de bijuterias eram algumas das mais exaltadas. Uma delas disse que toda a mercadoria dela tinha nota. Mesmo assim, foi tudo levado. ''Eles recolheram tudo jogando em caixas e devem ter quebrado muitas peças. Eu quis mostrar as notas fiscais, mas eles não quiseram nem ver'', lamentou.
Também dono de box de comercialização de bijuterias, Renato Leite da Silva estava revoltado porque portas, inclusive dos banheiros, foram quebradas, assim como os cadeados de cada loja. A indignação maior, porém, era devido a um suposto tratamento diferenciado para os boxes. ''Toda a bijuteria que eu vendo tem nota, mas tudo foi levado. Outros que compram no mesmo lugar que eu não perderam nada. Ninguém entendeu isso'', queixou-se.
Quem também garantiu que só trabalha com mercadorias legalizadas foi Denise de Carvalho. A dona da tabacaria no térreo do Camelódromo, há três meses no local, também teve mercadorias apreendidas. ''Recolho todos os impostos e não tenho nada em débito. Eu imaginava que o mandado era de loja por loja. Mesmo falando que tinha as notas eles não me deixaram entrar.''
Ex-presidente de uma ONG que congrega camelôs, Ulisses Sabino foi atingido por estilhaços de uma bomba lançada por policiais federais. ''Estávamos participando pacificamente do protesto a uns 200 metros do Camelódromo quando jogaram a bomba. Ninguém desrespeitou a faixa de isolamento. E isso é bomba de efeito moral? Isso é efeito imoral.''
O delegado-chefe da Polícia Federal em Londrina, Kandy Takahashi, afirmou que não é atribuição do órgão conter protestos populares, mas que nesse caso os policiais ''agiram em situação de defesa''. (F.R.F. e V.N.)





