Nem mesmo quem conhece os perigos dos ''remendos'' está livre de ter que recorrer a este artifício. ''Uma reforma completa demora uns 30 dias. E eu preciso do carro para comprar as peças'', argumentou o borracheiro José Aparecido de Oliveira, 40 anos. Há pouco mais de seis meses ele comprou uma Caravan bem antiga que, apesar da aparência, ele garante que funciona bem. ''Eu tinha um Maverick velho aí vendi para comprar umas peças e com o que sobrou comprei a Caravan. Se tivesse dinheiro já teria uma camionete'', afirmou Oliveira.
O borracheiro garantiu que pretende reformar o carro, mas que vai fazer aos poucos. Assim como Oliveira, a maioria dos clientes dele faz pequenos ajustes, pois precisam dos veículos para trabalhar. ''Há poucos dias veio um carro que precisava fazer toda a pintura, mas o dono resolveu só consertar a lataria'', contou o pintor da oficina, Severino Alves de Freitas, 48 anos. Ele conta que já viu pessoas só levarem o carro para o conserto quando o assoalho estava quase caindo.
O motorista de uma Kombi de reciclagem, Joaquim de Oliveira Costa, de 48 anos, também gostaria de trabalhar com um veículo mais novo, mas conta que esta foi a ferramenta de trabalho que lhe deram. Ele garante que apesar do desgaste aparente, o veículo está bom e só precisa trocar as velas. A presidente da organização não governamental (ONG) Reciclando Cidadania, Laura Dias da Silva, 47 anos, explica que pretende reformar a Kombi, mas por enquanto não tem outro veículo para fazer a coleta do lixo. ''O problema é que não temos dinheiro para comprar uma melhor'', disse. (C.R.)

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