O empresário Antonio Simsen, dono do sítio onde o estudante Vanderson Pereira Xavier, 13 anos, morreu ao tocar numa cerca eletrificada, prestou depoimento ontem à polícia de Foz do Iguaçu. Simsen negou que tivesse retirado a fiação depois do acidente e disse que possui controladores e fios elétricos há dois anos, mas jamais instalou o equipamento na propriedade. ‘‘Mesmo que estivesse usando cerca eletrificada, ela não teria capacidade para matar uma pessoa devido à baixa voltagem’’, alegou, acrescentando que ouviu um estouro perto dos postes que ficam na rua. ‘‘A pipa que o menino tentou pegar deve ter caído sobre a rede elétrica, provocando o acidente.’’ O empresário se apresentou espontaneamente ontem, 48 horas após da morte do garoto.
O estudante foi sepultado anteontem de manhã depois que o Instituto Médico Legal (IML) confirmou a morte por descarga elétrica. O cortejo do enterro transformou-se em protesto pelas ruas do Jardim Novo Horizonte, bairro próximo ao Rio Iguaçu, na região sul de Foz. A família acusou o proprietário do terreno de esconder o corpo, fato que teria retardado o atendimento médico. ‘‘Um amigo disse que ele (a vítima) havia se machucado na cerca, mas quando fui buscar meu filho o pessoal do sítio disse que não estava lᒒ, comentou a mãe de Vanderson, Jandira Salazar Xavier.
A morte do garoto aconteceu na tarde de sábado. Ele e um amigo tentavam pegar uma pipa dentro da propriedade, quando Vanderson teria se enroscado na cerca ligada à energia elétrica. Depois do acidente, os fios teriam sido retirados do local. Segundo o delegado responsável pelo caso, David Ricardo de Andrade Passerino, o proprietário já foi indiciado por negligência. ‘‘A acusação é que ele não teria advertido os moradores que a cerca era elétrica, mas vamos aguardar a perícia para confirmar o que realmente aconteceu’’, explicou Passerino, lembrando que o proprietário pode responder processo por homicídio culposo.
Não existe lei federal ou estadual que normatize o uso de cercas elétricas para a proteção de propriedades. Em Foz do Iguaçu, uma determinação de 1991 proíbe a instalação das cercas em áreas urbanas, mas vem sendo questionada na Justiça.

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