Dono do Hot List é preso por tráfico
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de janeiro de 1999
Osmani Costa 
O comerciante Marcelo Pereira, 29 anos, foi preso em flagrante na noite de anteontem por uma equipe de investigadores da Delegacia de Operações da 10ª Subdivisão Policial de Londrina (10ª SDP). Ele está sendo acusado de tráfico de substâncias entorpecentes e porte ilegal de armas.
Marcelo Pereira foi preso no interior de seu estabelecimento comercial, o Márcios Bar, onde a polícia diz ter encontrado dois papelotes de pasta base de cocaína - pesando um grama cada um - e uma pequena porção de maconha; além de dois revólveres calibre 22 sem o necessário documento que legalizaria o porte das armas.
Em depoimento ao delegado Valdir Abrahão da Silva, que chefia a equipe de investigadores da Delegacia Operacional, o comerciante negou que vende drogas e não soube explicar a origem dos revólveres. Segundo Marcelo Pereira, ele estaria apenas guardando as substâncias tóxicas a pedido de um freguês. Lavrado o flagrante e aberto o inquérito, Pereira foi levado ao 2º Distrito Policial (DP), onde permanece preso.
Marcelo Pereira ficou famoso e ganhou notoriedade internacional em março de 1994, quando foi processado por publicar em seu boletim de classificados - Hot List - um anúncio incitando o assassinato de menores de rua nos conjuntos da zona norte. O Márcios Bar, que ontem permaneceu com as portas fechadas o dia inteiro, funciona no Conjunto Habitacional Violin, localizado naquela região da cidade, onde o boletim Hot List continua circulando quinzenalmente.
O delegado Valdir Abrahão da Silva contou que a operação que culminou com a prisão em flagrante do comerciante teve início há cerca de 15 dias, com base em denúncias anônimas de que Marcelo Pereira estaria vendendo drogas em seu bar. Montamos a operação com paciência e respaldo legal. Depois que conseguimos o mandado de busca e apreensão da juíza da 4ª Vara Criminal montamos campana e fechamos o cerco ao local do tráfico, ressaltou o delegado.
De acordo com ele, um homem - que não pode ser identificado por questão de segurança - colaborou com a polícia se passando por comprador de drogas. Ele foi ao Márcios Bar e comprou, das mãos do Marcelo, dois papelotes de cocaína por R$ 10,00. Quando ele saiu, nossos policiais entraram no estabelecimento e encontraram as substâncias tóxicas e os dois revólveres. O comerciante não resistiu à voz de prisão, afirmou o delegado.
O crime de tráfico de drogas é considerado hediondo e inafiançável, e a pena prevista é de três a 15 anos de reclusão sem direito a benefício. Pereira responderá ao processo em prisão provisória. As investigações devem ser concluídas em 10 dias. A situação do comerciante é mais grave porque ele não é mais primário, já é reincidente, disse Silva. Pereira não quis dar entrevista à imprensa e foi levado do 2º DP por investigadores para participar de diligências na zona norte da cidade.


