Dono do café Itamaraty é assassinado em casa; polícia suspeita de execução
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de dezembro de 1997
Paulo Ubiratan 
Londrina
Arquivo Folha
À queima-roupa
Júlio César Marino durante uma entrevista: morto dentro de casa
Dorico da Silva
Palco do crime
Empregados lavam área onde Marino foi assassinado:
Dorico da Silva
Dilson: "Ele disse que reagiria"
Dorico da Silva
Marlene: "Homem saiu calmamente"
Dorico da Silva
O caseiro Nelson Silva, já operado na Santa Casa: tiro na perna
Dorico da Silva
Garagem onde ocorreu o crime: episódio chocou os empregados
Dorico da Silva
O delegado Wanderci: nome de ex-funcionário é mantido em sigilo
Dorico da Silva
Movimentação na rua Farrapos: polícia suspeita de execução
O empresário Júlio César Marino, 54 anos, foi morto com três tiros à queima-roupa no início da tarde de ontem. Os tiros foram disparados de um revólver calibre 38 na área de entrada das garagens da residência dele, localizada na rua Farrapos, 45, área central de Londrina. O caseiro do empresário, Nelson Silva, foi ferido na perna direita. Ele foi operado ontem à tarde na Santa Casa, para retirada da bala, e passa bem.
Nelson Silva disse à polícia que o assassino invadiu a casa logo depois de Júlio César Marino entrar com sua camionete Cherokee na garagem. O bandido entrou meio que correndo, foi até o fundo da área e começou a atirar. Logo que eu deparei com ele no portão, ele disse que era para eu ficar quieto, pois tratava-se de um assalto. Durante os tiros cheguei a ouvir o seu Júlio gritar pedindo para ele parar de atirar.
Três testemunhas contaram que o criminoso aparentava ter aproximadamente 27 anos, moreno claro, cabelos curtos, bigode fino, trajava camiseta branca e calça jeans. Um operário que trabalha em uma construção ali perto disse que viu o matador entrar em um carro cor escura (não precisou a marca nem a placa) que estava estacionado na rua Belo Horizonte, a menos de 50 metros da mansão. Uma mulher, segundo ele, dirigia o carro.
Amigos de Júlio César afirmaram que ele dissera que reagiria a qualquer assalto ou sequestro. O empresário Dilson Ribeiro de Sá, que também viu o assassino fugir, contou que o conhecia há muitos anos e que era uma pessoa calma, mas rígida com os funcionários. Ele gostava de tudo certo.
A Folha apurou que um mês atrás, aproximadamente, um funcionário que trabalhava na segurança de Júlio César Marino ganhou uma questão trabalhista contra uma das empresas dele. Segundo a fonte, o ex-segurança teria ficado revoltado por ter ganho R$ 15 mil de indenização, quando esperava receber R$ 80 mil. O nome está sendo guardado em sigilo pela polícia.
Até ontem à tarde a polícia trabalhava com a possibilidade do empresário ter sido executado, descartando a possibilidade de tentativa de sequestro porque o homicida entrou sozinho na casa. O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, disse que investiga primeiro a tese de que Júlio César Marino foi executado. O alerta de assalto foi descartado porque nada foi roubado. O delegado-chefe da 10ª SDP levantou a hipótese de que o matador teria falado em assalto para despistar.
A empregada Marlene Alves disse que o assassino atirou seis vezes. Segundo ela, da primeira vez, quando o empresário saía da garagem, foram disparados dois tiros. Após estes dois tiros ele avançou no bandido e caiu no chão. Eu cheguei a ouvir o seu Júlio gritar para o Nelson e cair no chão. O homem então disparou mais dois tiros e saiu da casa calmamente, colocando a arma na cintura, contou a empregada.
O último tiro disparado contra o empresário foi no portão de entrada da residência. Depois, duas empregadas do empresário e mais Marlene arrastaram o corpo para o interior e fecharam o portão.
O Instituto de Criminalística encontrou duas perfurações na Cherokee. O delegado Wanderci solicitou à Criminalística de Curitiba um técnico em montagem de fotos, para fazer a reconstituição do rosto do assasssino. O corpo de Júlio César seria levado ontem à noite para Catanduva (SP), onde será enterrado hoje.


