Dono de sítio reclama de impasse na criação de parque
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de outubro de 2000
Benedito Teles De Santo Antônio da Platina Especial para a Folha 
Atraso no repasse de recursos pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) está prejudicando o empresário Ivo Aparecido de Almeida, de Andirá (36 km ao oeste de Jacarezinho). O empresário aguarda há seis anos uma definição do IAP sobre a venda de uma área com sete alqueires de sua propriedade para a Prefeitura de Itambaracá (46 km a leste de Cornélio Procópio). A área seria destinada à criação de um parque municipal. Almeida diz que enfrenta dificuldades financeiras e que estaria sendo pressionado pela direção do IAP para não divulgar o problema.
O empresário explica que a Secretaria do Meio Ambiente havia autorizado a venda, em 1994, mas que não houve a liberação dos recursos. Por isso, em 96, com a autorização do IAP, Almeida iniciou o desmatamento da área. A manifestação dos ecologistas impediu o corte das árvores nativas que o próprio IAP tinha me autorizado. Mas diante do apelo da comunidade, o instituto recuou, disse.
Segundo ele, depois da manifestação, foi firmado um convênio entre o IAP e a prefeitura de Itambaracá para a transformação da área em parque ecológico. Foi feito o empenho para compra da área, mas os recursos cerca de R$ 71 mil não foram liberados, disse.
O empresário explica que não tem mais condições de esperar pela solução do problema. Proprietário de uma madeireira, Almeida disse que não tem dinheiro para contratar advogados, que demitiu 90% dos funcionários e que sua propriedade está penhorada pelo Banco do Brasil para pagamento de tributos ao Estado. A propriedade vale cerca de R$ 100 mil, mas o banco deve leiloar tudo por R$ 15 mil, afirmou.
O secretário municipal da Agricultura de Itambaracá, Marcos Bianconi, disse que a instalação do parque é interessante para o município e para a população, mas que não pode fazer nada sem o repasse de recursos. Gostaríamos que o problema fosse resolvido para garantir este espaço ambiental para a população, comentou.
O diretor-presidente do IAP, José Antônio Andreguetto, disse que o convênio assinado com a prefeitura estipulava a realização de várias ações para a instalação de infra-estrutura para a criação de um parque municipal, mas explica que as verbas não foram liberadas por falta de recursos do órgão e por causa do período de eleições municipais. O convênio existe e o interesse na área está mantido, mas não temos recursos para efetuar o pagamento, informou.
A área, localizada no Sítio Alzira, em Itambaracá, abriga animais silvestres como tatus, quatis e macacos de diversas espécies como bugio, prego e sagui. Segundo Almeida, ali estão cerca de 500 animais e vegetação rara.


