Carlos AlmeidaPassagem obstruídaDesde sábado, o trecho da BR-153 entre Jacarezinho e Ourinhos (SP) está completamente interditado por causa da erosão; Nelson Nogueira Filho cobra o pedágio do empresário Carlos Tojeio (abaixo à esq.); Cerca de 5 mil veículos pequenos passam por dia pelo Sítio VisageA interdição do trecho da BR-153 entre Jacarezinho e Ourinhos (SP) devido a uma erosão na pista está causando polêmica. Desde sábado, quando foi interditada totalmente, motoristas e pedestres têm que desviar pela PR-431, passando por Cambará, o que aumenta o percurso em 25 quilômetros.
Revoltados com a situação, os usuários diários do trecho resolveram invadir a propriedade que fica em frente ao buraco na pista para desviar o tráfego por ali. O sítio Visage tem uma entrada em cada extremo do buraco. Indignado com a invasão, o dono da área, Nelson Nogueira Filho, 40 anos, começou cobrar pedágio. A cobrança é ilegal, mas Nogueira pretende recuperar seu prejuízo.
‘‘Não estou visando lucro nenhum, mas a minha casa está sendo abalada e quem vai pagar os prejuízos?’’, indagou. Nogueira conta que, assim que o trecho foi interditado, sábado, algumas pessoas conhecidas pediram para passar pela propriedade. ‘‘Eu deixei, mas aí foi entrando um carro atrás do outro, então resolvi fechar o portão e não deixar mais ninguém passar’’.
De madrugada, Nogueira acordou com barulhos. O portão da propriedade havia sido arrancado. ‘‘Então eu falei já que é assim, quem quiser passar vai pagar’’. A taxa cobrada é de R$ 2,00 por veículo e o motorista ganha um vale volta.
Segundo Nogueira, se o fluxo de veículos não fosse tão grande (5 mil/dia), até que deixaria os carros passar, mas ele argumenta que o tráfego está prejudicando sua propriedade. No local também funciona um alambique. ‘‘Além do mais, não temos sossego, porque os carros passam durante a noite toda na porta de casa’’.
Para os motoristas, pagar o pedágio vale mais a pena do que dar a volta por Cambará. ‘‘É melhor pagar R$ 2,00 do que gastar R$ 5,00 a mais de combustível para dar a volta’’, diz o empresário Carlos Tojeio. Ele passa duas vezes por dia pelo local.
‘‘Isso é uma vergonha porque faz dois anos que a estrada está caindo, até que chegou ao estado atual. O DNER (Departamento Nacional de Estradas e Rodagem) precisa tomar providências urgentes. Enquanto isso, vamos preferir pagar o pedágio à dar a volta por Cambarᒒ, comentou o gerente de posto de gasolina, Orlando Martins.
Outra polêmica é que a passagem pelo sítio Visage só é permitida para veículos pequenos. Caminhões e ônibus têm que desviar por Cambará. E a PR-431 não tem estrutura para aguentar o tráfego.
A solução seria a abertura de um desvio às margens do sítio Visage, mas o proprietário não quer permitir. ‘‘Não sou contra o DNER e sei que precisam de solução imediata, mas o terreno onde seria o desvio é arenoso e não comporta o tráfego. Só quero cuidar do que é meu’’, afirma Nogueira. Segundo ele, o local possui árvores nativas e isso implicaria em degradação ambiental.
O engenheiro chefe do DNER, Robson Saito, explica que o desvio estaria dentro da faixa de domínio do DNER (40 metros de cada lado). ‘‘A área sendo considerada de utilidade pública se sobrepõe a qualquer direito privado’’, explicou.
Segundo o engenheiro, a PR-431 está deteriorada e não tem condições de suportar mais veículos. Saito garante que o proprietário não vai sair prejudicado e que as árvores nativas não seriam derrubadas, somente algumas frutíferas.
Enquanto a solução não vem, algumas empresas que transportam trabalhadores optaram por deixar os passageiros num extremo do buraco, eles atravessam a pé e embarcam em outro ônibus, do outro lado.

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