Dono de revendedora é acusado de fraude
Osmani Costa
De Londrina
O advogado Wilson Sella dará entrada hoje com uma ação criminal contra Denis Sanches Spurio, denunciado por crime de estelionato contra o funileiro Manoel Amarildo Zambrin. O crime, segundo o advogado, teria ocorrido em junho do ano passado, quando Spurio realizou uma alteração contratual na empresa em que era sócio-proprietário, a Alfaville Veículos, transferindo a titularidade da revenda para Zambrin de maneira fraudulenta.
De acordo com Sella, para a alteração contratual foram usados os documentos que Manoel Zambrin havia perdido. Cometeram o crime de estelionato contra o funileiro, porque ele nem conhecia o Denis Spurio e o estacionamento de compra e venda de veículos. No documento de transferência de propriedade, falsificaram a assinatura do Zambrin, denuncia o advogado.
Além da ação criminal por estelionato, Sella dará entrada na Justiça, em nome de seu cliente, com uma ação contra Spurio e seus sócios reivindicando indenização por danos morais. Na tarde de ontem, três pessoas que se dizem prejudicadas por golpes de Denis Spurio deram entrevista à Folha no escritório de Sella. De acordo com eles, o número de vítimas da Alfaville Veículos que durante anos funcionou na Rua Uruguai (área central) está em torno de 20.
Lázaro Cristiano da Silva conta que comprou de Spurio, em maio deste ano, um Mitsubishi Eclipse por R$ 17 mil. Como pagamento, deu R$ 6 mil em dinheiro, uma Belina 85, uma Veraneio 88, um Jeep 50, e um bote com carretinha. Nestes sete meses, não me entregaram os documentos do carro para eu fazer a transferência par o meu nome. Por isto, não pude fazer o seguro do automóvel. Resultado: no último feriado, bati o carro, que deu perda total, diz Silva.
Segundo ele, a documentação do carro comprado da Alfaville está toda irregular. Fiz contato com o ex-dono, em Curitiba. O automóvel não tem carta de importação. Para a transferência anterior na capital, usaram uma carta de liberação de financiamento fria, denuncia Lázaro da Silva. Comprei e paguei. Mas como não tenho documento de propriedade e nem seguro, perdi tudo.
Cristiane da Silva Leal explica que o prejuízo dela também é grande. Comprei um Monza em dezembro de 97 por R$ 8 mil. Três dias depois o carro deu defeito. Na oficina, disseram que era a direção hidráulica, e que o conserto custaria outros R$ 8 mil. Voltei a falar com o Denis para desfazer o negócio, conta ela.
O dono da Alfaville aceitou, de acordo com ela, receber o automóvel de volta e devolver os R$ 3.500,00 que havia recebido como entrada no negócio. Até hoje, este dinheiro não foi devolvido. O Monza já foi vendido para outra pessoa, mas o documento continua no meu nome. Já chegaram várias multas em casa, de mais de R$ 800,00. Além disto, o IPVA está atrasado desde o ano passado, comenta Cristiane Leal, lembrando que corre ainda o risco de um acidente com o carro em nome dela.
Algumas das vítimas entraram com ações contra Denis Spurio no Juizados Especiais antigo Pequenas Causas , e conseguiram sentenças favoráveis. O problema, de acordo com Wilson Sella, foi que na hora na penhora dos bens e ressarcimento aos prejudicados a Alfaville já não estava mais no nome de Spurio. No local onde ela funcionava, hoje há uma outra empresa de compra e venda de automóveis usados.
Na tarde de ontem, a reportagem da Folha encontrou Spurio na nova revendedora. Ele alegou não ter mais nada com a antiga empresa e ser, agora, apenas um empregado do estacionamento. Ele não quis conceder entrevista e disse somente que responde às acusações na Justiça. Não posso falar em nome dos meus seis ex-sócios. É melhor você conversar diretamente com nosso advogado, o João Basso, disse Spurio. Procurado, o advogado não estava no escritório dele. O telefone celular de Basso estava temporariamente programado para não receber chamadas.
No 1º Distrito Policial (DP) há três inquéritos abertos para apurar denúncias contra Denis Sanches Spurio. De acordo com o delegado Algacir Antonio Ramos, o acusado não atendeu a uma recente intimação para depoimento. Este caso é meio enrolado, complicado. Já ouvi os acusadores e algumas testemunhas. Falta ouvir o acusado, que vou intimar novamente para interrogatório em breve, afirmou o delegado.





