Curitiba Um assalto a um posto de combustíveis terminou em morte na manhã de ontem no bairro Rebouças, em Curitiba. Dois assaltantes chegaram no Posto Chaparral, na Rua Brasílio Itiberê, por volta das 6 horas, e renderam três frentistas. Depois, a dupla se dirigiu à loja de conveniência do posto, que dá acesso ao escritório, onde estava o proprietário do estabelecimento, Claudino Pizzolatto. Segundo a polícia, a vítima se recusou a abrir a porta, que foi arrombada pelos assaltantes. Houve troca de tiros, Pizzolatto foi atingido no peito e morreu no local.
Segundo o titular da Delegacia de Furtos e Roubos, Rubens Recalcati, os assaltantes desistiram do roubo e fugiram a pé. Os frentistas então acionaram a Polícia Militar (PM) que também acionou a Polícia Civil. A delegacia tem pistas dos autores do homicídio, mas prefere não divulgar para não atrapalhar as investigações. Os três frentistas deveriam prestar depoimento à polícia ainda ontem. O corpo de Pizzolatto foi velado ontem no Cemitério Jardim da Saudade.
Recalcati informou que assaltos a postos de combustíveis têm sido muito frequentes na Capital e na Região Metropolitana. Acontecem, em média, dois assaltos por semana em Curitiba. Empresários do setor estão revoltados com a falta de segurança. A diretoria do Sindicombustíveis, o sindicato que defende a categoria, alega que tem denunciado o aumento da violência nos últimos anos e feito solicitações ao poder público para sejam tomadas providências. Segundo o sindicato, muitos revendedores de combustíveis têm deixado de prestar queixa dos frequentes assaltos devido à impunidade.
O Sindicombustíveis começa hoje uma campanha contra a violência nos postos. Os donos dos estabelecimentos prometem afixar faixas chamando a atenção do governo, uma delas dizendo: ''Governador Requião, quantas mortes mais serão necessárias para termos segurança?''. O presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese, disse ainda que os donos de postos vão criar um comitê de segurança, lavrando inclusive uma espécie de boletim de ocorrência.
A revolta dos donos de posto ontem era grande. Somente um posto, segundo Fregonsese, foi assaltado 36 vezes. ''Outro cinco vezes num final de semana. Os frentistas vão trabalhar hoje de tarja preta como um sinal de protesto contra a violência. Vamos fazer um levantamento da situação e encaminhar para o governador, que está mal orientado, achando que temos segurança.'' Fregonese disse ainda que os postos, a partir de agora, também vão passar a tomar algumas medidas preventivas, como contratar caminhões fortes para transportar dinheiro.
A assessoria da Secretaria de Estado de Segurança Pública informou que o governo está aberto para discutir o problema com o setor. A secretaria entende como justa a manifestação. A avaliação é que o aumento da violência nos postos de gasolina se deve à repressão, pelo governo, de assaltos em outros setores, o que provocou uma migração dos assaltantes. (Colaborou Leandro Donatti)

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