Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
A empresa Mineração Floresta Maracaju, que atua no Lago de Itaipu e teve seu porto de desembarque de areia em Santa Terezinha de Itaipu (25 km a nordeste de Foz do Iguaçu) embargado há 36 dias pelo Ibama, fechou acordo com o Ministério Público.
O acordo, conforme foi antecipado pela Folha no início do mês, prevê a readaptação do sistema de bombeamento da areia e a retirada de todas as instalações da empresa – que estão às margens do Lago de Itaipu, dentro da faixa de 100 metros reservada à preservação ambiental permanente –, além do compromisso de recuperar a área.
O prazo estipulado para a mudança vai de seis a nove meses. A reabertura do porto só depende de avaliações da superintendência estadual do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) do Termo de Compromisso, assinado anteontem em Foz. O pedido de suspensão do embargo da Maracaju será entregue hoje ao órgão.
As outras duas mineradoras, Floresta, de Guaíra, e Morumbi, pertencentes ao mesmo dono, que mantêm um porto de desembarque de areia no local que também está embargado desde o final de outubro, ainda não fecharam acordo com o Ministério Público.
‘‘O acordo é uma grande vantagem para as empresas porque ganham prazos e não serão obrigadas a responder ação civil e até criminal’’, afirmou o promotor de Defesa do Meio Ambiente de Foz do Iguaçu, Luiz Francisco Marchioratto, que intermediou o acordo junto com representantes da Itaipu Binacional, Ibama e Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
A Maracaju deve concluir a primeira etapa de adequações exigidas pelo acordo em 30 dias. Parte das instalações, como escritórios e galpões onde são guardados os maquinários, começaram a ser retiradas logo após a assinatura do acordo. ‘‘Já estamos nos instalando em uma área particular ao lado, de aproximadamente 5 mil metros quadrados’’, informou à Folha o proprietário da Maracaju, Veraldo Barbiero.
Ele explicou que o novo sistema de desembarque de areia será feito por meio de tubulações, desde a margem do lago até as caixas de depósito, que serão instaladas a cerca de 120 metros de distância. ‘‘Esse sistema é mais caro porque haverá mais consumo de combustível, e mais demorado, porque a distância será maior.’’ Barbiero espera que até a próxima semana o Ibama já tenha suspenso o embargo e a empresa possa retornar às atividades.

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